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domingo, 19 de novembro de 2017

Quem inventou esse cenário de trevas e como desinventar?


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Escrevi ha pouco tempo no blog sobre a absurda passividade do povo brasileiro da atualidade, afirmando que nosso povo nunca foi assim. O povo sempre lutou por seus direitos na busca de melhores condições de vida e teve conquistas históricas, principalmente ao longo dos últimos cem anos.

Porém, o que pretendo chamar a atenção nesse post é da enorme dificuldade nos dias de hoje para se produzir um texto com mensagens positivas e de otimismo, tamanho é o cenário de destruição, tristeza e abandono produzido pelo golpe em curso, que de uma hora para outra liquidou com conquistas históricas e memoráveis, seja no campo institucional, político e principalmente no campo econômico e trabalhista. O Brasil deles é um país para apenas 15 milhões de brasileiros e de brasileiras. O restante se encontra nos guetos.

Há um enorme vazio entre a felicidade de outrora (até pouco menos de três anos) e os tempos de crises atuais. Entre o que a maioria do povo brasileiro imaginava ter e a dura realidade que bateu às portas de milhões de pessoas. O que se torna urgente é descobrir que mistério é esse, ou ainda que magia é essa, que faz com que o povo se cale e aceite de forma pacífica diante de tudo que está ocorrendo e ainda o que vai ocorrer.

Do ponto de vista existencial vive-se uma profunda crise de identidade, do tipo: Quem fui? Quem sou? Quem serei? Esse foi o resultado mais cruel do golpe e do desmonte nacional. Uma crise de identidade construída pela velha mídia pertencente a apenas seis famílias abastadas, que leva as pessoas até a se culparem por ter votado em Lula e Dilma. Como resultado final, temos uma grande parte da população perdida em si mesmo. Paralisada e vivendo a expectativa da próxima desgraça, mas sendo treinada que não há outra saída.

Infelizmente existem dois mundos no cenário nacional. Dois Brasis, separados por sonhos, fantasias e pesadelos. Duas partes do país, que vivem realidades completamente diferentes. Um pequeno lado ilhado desfrutando das benesses produzidas pela maioria dos trabalhadores e das trabalhadoras e a maior parte vivendo de preconceitos, vontades alheias e a completa falta de oportunidades.

O mais incrível é que apesar de tudo isso, as pessoas transitam por esse meio como se nada tivesse ocorrendo. Uns aprenderam que é assim mesmo, outros acham que a culpa é da política e dos políticos corruptos, enquanto a militância das causas tentando mostrar que se faz necessário e urgente uma resposta popular ao que vem acontecendo no Brasil. Em resumo, uma grande parte da sociedade desnorteada, outra destilando ódio, outra ainda se aproveitando da situação e uma pequena parte em luta permanente sem um amplo projeto que unifique suas diferenças políticas e ideológicas.

Quando se atua por uma causa é necessário entender, que determinadas situações nos obriga a buscar na sabedoria respostas de qual o caminho devemos percorrer em busca dos objetivos, principalmente por sermos responsáveis por quem cativamos e por quem construímos rotas que envolvam corações e mentes. Somos eternos condutores dos sonhos que se perderam para milhares de pessoas ou ainda dos que não acreditam mais poderem sonhar.

A vida pode ser um jogo para alguns, uma arte para outros, ou ainda a plenitude do encontro existencial e o que pretendemos deixar como história. A experiência de vida nos oferece a reflexão, mas também as dúvidas, enquanto a sabedoria nos conduz ao ponto determinado com maior segurança.

Ser sabido é muito fácil, mas ser sábio requer determinação, reflexão, estudo e principalmente renúncias ao que não há valor algum. Ser sábio exige antes de tudo, comprometimento com a verdade, com a pureza e a leveza do ser e principalmente com a vida, coisas que vão muito além das palavras.

Da minha parte, prefiro brincar de ser sábio, mas que me leve à descoberta de minhas limitações e a disposição de continuar lutando, do que me mostrar experiente, do tipo sabe-tudo, que imagina de forma vã um sucesso inexistente. Prefiro viver dos desencontros possíveis e palpáveis que a vida me leva, a viver achando que encontrou o que jamais existiu ou existira.

Quem inventou a tristeza, como na música de Chico Buarque, todos nós sabemos, porém para desinventar só tem um caminho seguro: organização popular de forma consciente e o enfrentamento contínuo à toda essa situação até o dia que o sol voltar a brilhar e possamos caminhar rumo à uma sociedade justa, fraterna e igual para todos e todas.

Enfim, a situação nos faz refletir.

Antonio Lopes Cordeiro (Toni)
Estatístico e Pesquisador em Gestão Pública



sábado, 18 de novembro de 2017

Ciência e Tecnologia e a Agenda 2030 da ONU.


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Muito se discute sobre a Agenda 2030 da ONU, mas poucos sabem do que se trata e o porquê da escolha do ano como referência. Criada em 2015, a agenda é composta por 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável a serem implementados pelos governos, em especial pelos municípios.

Cada Objetivo é acompanhado por suas metas que somam 169 no total (https://nacoesunidas.org/pos2015/agenda2030/). A agenda tem, entre suas finalidades, equilibrar o desenvolvimento econômico com a sustentabilidade e a justiça social, através de uma governança baseada na transparência e participação democrática. Cabe aos municípios se organizarem e adaptarem suas políticas públicas e projetos de maneira a se enquadrarem nos Objetivos e suas metas.

Por que o ano de 2030? No começo do Século XX, John Maynard Keynes, economista britânico, apresenta uma série de ideias que visavam a recuperação da economia mundial que sofria por conta da crise de 1929 (EUA). A partir da política econômica apresentada por ele, Keynes fez a seguinte previsão: “a humanidade, dali a 100 anos, iria enfrentar seu problema permanente: como usar a liberdade de preocupações econômicas prementes, como ocupar o lazer que a ciência e os ganhos econômicos lhe trariam para viver bem, sábia e agradavelmente? 
Nos basta um pouco de fosfato no cérebro, para chegarmos à conclusão de que se não louco, suas ideias foram ignoradas ou aplicadas em partes, em especial no pós Segunda Guerra. Porém, ainda no final dos anos 60 e início de 70, o mundo caiu na graça do neoliberalismo e as ideias de Keynes foram abandonadas e o mundo é o que é hoje. O oposto às previsões de Keynes. Por isso o simbolismo do ano 2030, o ano que estaríamos preocupados em como gastar nosso dinheiro e aproveitar o tempo livre em consequência dos avanços da Ciência e da Tecnologia. Curiosamente, a Ciência e Tecnologia avançou o suficiente para nos permitir tempo e saúde para aproveitar a nossa vida com mais tranquilidade.

O que aconteceu, uma vez que temos mais intranquilidades que tranquilidades?

A resposta está no uso que o homem dá aos avanços tecnológicos. A sede por lucro e acumulação de bens, acaba por transformar os avanços tecnológicos em inimigo do bem estar e do viver. Alguns poucos encastelados, a partir do uso privado das forças armadas dos EUA, nos impõem o desemprego e a fome.
Há braços
Sérgio Mesquita

Secretário de Ciência, Tecnologia e Comunicações de Maricá-RJ

sábado, 4 de novembro de 2017

O pensamento vivo de Ernesto Guevara, o Che

Ricardo Costa Gonçalves­*


Há cinquenta anos, em 08 de outubro de 1967, o exército boliviano, com ajuda do governo norte-americano e da CIA, capturou Ernesto Guevara de La Serna, o Che, nas selvas deste país, no dia seguinte, às 13h 10, um ranger boliviano, sob as ordens dos Estados Unidos, o executou a sangue frio. Além de sua firmeza de princípios e exemplo de combatente, Che Guevara deixou um acervo de contribuições para o debate político, ideológico e teórico que vão além do foco guerrilheiro. O objetivo desse texto é apresentar, nesse aludido 50 anos da morte de Che, alguns desses aportes de Ernesto Guevara de La Serna.
Naquele momento, morria um dos maiores inimigos dos “velhos e novos colonialismos”, junto com Fidel e Raúl Castro, Camilo Cienfuegos, Célia Sanchez e outros guerrilheiros cubanos comandou a revolução Cubana. Quando seu algoz entrou na sala onde ele foi aprisionado, Che se levantou, olhou nos olhos do seu assassino e disse: “atire, covarde, que você vai matar um homem”. Essa atitude digna diante da morte não foi diferente de como ele viveu sua vida.
Che enxergou de perto o regime de exploração imposto aos latino-americanos por companhias estrangeiras apoiadas na cumplicidade de governos locais. Nas rotas traçadas por Che pelo continente latino-americano, é importante destacar a sua passagem pelo Peru. É neste país andino que Che teve contato com a obra de José Carlos Mariategui que exerceria influencia considerável na sua compreensão acerca da trajetória e da realidade da América Latina.
A partir do diálogo com o marxista peruando Ernesto Guevara passou a entender a presença do latifúndio como marca característica das sociedades latino-americanas, resultado da herança colonial. Compreendia a grande propriedade rural como “la base del poder económico que sucedió a la gran revolución libertadora del anticolonialismo del sigo passo” (CHE GUEVARA, 1961, p. 407). Também esteve na Guatemala em 1954, quando uma operação organizada pelos EUA derrubou o governo popular e democrático de Jacobo Arbenz. Depois foi para o México, onde teve contatos com os revolucionários cubanos.
Em Cuba ele foi o primeiro revolucionário a ser promovido a comandante. Foi o líder da tomada de Santa Clara, depois de uma dura batalha de três dias contra o exército regular da ditadura de Batista, vitória que levou à queda do regime. O seu livro a Guerra de Guerrilhas é uma doutrina militar e revolucionária forjada no calor dos combates, como tudo o que ele escreveu.
Ernesto Guevara sempre procurou unir teoria e prática. Foi assim como médico, chefe militar, dirigente partidário, representante de Cuba em dezenas de missões diplomáticas, presidente do Banco Nacional, do Instituto de Reforma Agrária e ministro da Indústria. Segundo ele, a teoria só cresceria em constante confronto dialético com a realidade do mundo. Diversas vezes ele se posicionou contra o dogmatismo e o sectarismo, polemizando inclusive dentro do partido Comunista cubano. Como Lênin, Che entendia a teoria como um guia para a ação, não como um manual de instruções.
Che desde jovem se dedicou a leitura. Leu desde os filósofos gregos a Confúcio, de Tomás de Aquino à filosofia política inglesa e francesa, de Jules Verne e H. G. Wells a Pablo Neruda. Ele leu com atenção “A Crítica da Razão Pura”, de Kant, e “O Crepúsculo dos Ídolos”, de Nietzche, leu ainda as obras de Freud, Bertrand Russel, dentre outros. E, também, leu com bastante interesse a tradição marxista e revolucionária. Ele insistia no estudo, sempre integrado à vida, como uma das tarefas dos revolucionários. Mesmo na selva boliviana, quando o isolamento da guerrilha o colocou em situações muito difíceis, Gueavara levava consigo uma pesada mochila cheia de livros.
Posteriormente a tomada do poder, quando entendeu que a revolução estava se consolidando, ele renunciou a todos os postos no estado cubano e foi para o Congo colaborar na luta de libertação. Pois, Che achava ser necessário difundir a resistência anti-imperialista por todos os continentes subjugados a regimes coloniais ou neocoloniais, abrindo diversas frentes de luta. Segundo ele, solidariedade não é algo que se preste com declarações de apoio, mas com atos: seu internacionalismo era consequente. Com o mesmo espírito e coerência inabalável, ele foi para a Bolívia organizar o que, segundo o plano traçado, deveria ter sido o núcleo de um exército de libertação que se irradiaria por toda a América do Sul.
Todo seu caminho foi alicerçado por uma profunda ética revolucionária e humanista. Diferente do que costuma acontecer, Che praticou com austeridade o que pregava. Todos os ensinamentos que deu aos jovens comunistas, em célebre discurso, ele próprio seguiu: manter um elevado senso de honra e dignidade, assumir as responsabilidades ante os demais, revoltar-se contra qualquer injustiça, consolidar um espírito cotidiano de sacrifício e fazer a guerra aberta contra os formalismos que engessam os processos de transformação. Ele dizia que o revolucionário deve ser um exemplo vivo. Por isso, a teoria de um comunista é, de acordo com o Che, indissociável de uma prática de vida coerente.
Por tudo isso, o Ernesto Guevara de La Serna, - homem digno, ético, latino-americanista, anti-imperialista, profundamente movido por um senso de justiça que levou consigo até as últimas consequências - não morreu em La Higuera. Seus inimigos de classe, que ainda o temem, tentaram domesticar sua memória, torná-lo um produto publicitário vazio de sentido, agredi-lo com infâmias. Mesmo assim, Che vive e continua nos ensinando. Ele transformou-se em símbolo de rebeldia, exemplo de valores e princípios verdadeiramente revolucionário.
Aos cinquenta anos de sua imortalidade, a melhor homenagem que podemos lhe prestar é seguir o seu exemplo quando vivo. Na verdade, essa é a única homenagem que ele consideraria sincera e coerente.


* Professor e Mestrando em Estado, Governo e Políticas Públicas pela Faculdade Latino-Americana de Ciências Sociais (Flacso).

terça-feira, 17 de outubro de 2017

Um tributo à vida que virá


Inicio essa viagem pelos caminhos da vida e pelo ato de viver, com Clarice Lispector: “Renda-se, como eu me rendi. Mergulhe no que você não conhece como eu mergulhei. Não se preocupe em entender, viver ultrapassa qualquer entendimento”. Clarice bela. Define a vida como uma verdadeira aventura. 

Não restam dúvidas de que a vida representa o bem maior. O grande presente. Tão grandiosa e divina que precisaríamos a vida toda para tentar expressar tamanha gratidão em recebê-la.

Você já se imaginou definindo a vida além dos clássicos? Que tal essa breve definição: “Vida é um bem de tempo limitado concedido, para que você simplesmente exista”. Em seu tempo, cada ser desfruta do tempo que a vida vai lhe concedendo. Algo tão aleatório e tão indefinido que nenhum cálculo científico foi capaz ainda de definir com exatidão o tempo que cada um e cada uma dispõem para viver, ou ainda de inventar a vida com todo seu esplendor.

Uma das contrações da própria vida vem do fato de que enquanto a maioria dos seres humanos vive com seus limites diários e frequentes, com suas lutas cotidianas contra as injustiças e todas suas mazelas cometidas por outros humanos, uma pequena parte de humanos se considera imortal. Porém, o que assusta, mas conforta é saber que ambos os setores humanos se encontrarão quando a vida cessar e for substituída pela democrática morte que surge para igualar os seres, independente do foram enquanto vida.

Porque tocar num assunto tão complexo como esse num post para um blog de conteúdo político-humanista? Pelo simples fato de acreditar nos sonhos futuros e na vida que ainda virá. Além disso, tudo é possível, e acreditar é o ponto de partida do que poderá ser.

Em termos gerais o momento não e bom. Vivemos tempos de escuridão. Um cenário que nos faz questionar: O que será do amanhã? O que virá a seguir? O que a vida exigirá de cada um e uma de nós para voltarmos ao normal?

E de repente uma estranha incerteza nos toma corpo e alma. Do ponto de vista da causa, até parece que dormimos em berço esplêndido por algum tempo, sonhamos com oásis brotando em pleno deserto e acordamos em meio a um grande pesadelo. É como se o universo tivesse sido invadido por estranhos seres, que insistem em dizimar o que outrora se chamava de vida e que conspira contra o restante da humanidade. O que nos move em direção contrária? A esperança, a certeza da vitória e a disposição de lutar.

Em termos de vida somos seres imperfeitos, incompletos, porém sonhadores. Chega de buscar a perfeição. Busquemos a energia que está em cada um de nós, para juntos construirmos uma nova sociedade, onde a vida e o ato de viver sejam pontos de partida e de chegada para um novo amanhã.  

Vida é luz e é dimensão e viver é contemplar alegria e tristeza se fundirem num processo de catarse e resistência. Vida é simplesmente ousar viver.

A expressão da vida pode estar num olhar. Num gesto. No ato de sair do individual para o coletivo e principalmente na decisão de fazer. Enquanto isso a divindade da vida ocorre no momento em que descobrimos que a vida segue, estamos vivos e ainda dispostos a aprender, crescer e mudar.

Já dizia Drummond: “A cada dia que vivo, mais me convenço de que o desperdício da vida está no amor que não damos, nas forças que não usamos, na prudência egoísta que nada arrisca e que, esquivando-nos do sofrimento, perdemos também a felicidade”.

Que a felicidade seja o ato permanente de valorizar cada sopro que a vida dá e que nos fornece energia suficiente para acreditarmos que o melhor ainda está por vir.

Antonio Lopes Cordeiro (Toni)
Estatístico e Pesquisador em Gestão Pública Social
tonicordeiro1608@gmail.com

terça-feira, 3 de outubro de 2017

NOVOS TEMPOS, NOVAS LUTAS

A imagem pode conter: 1 pessoa, em pé, árvore, chapéu, atividades ao ar livre e natureza
Prezad@s amig@s, segundo Bauman (2001), vivenciamos uma das mais terríveis conjunturas políticas, a lógica da modernidade líquida cada vez mais tem sido aprofundada em nossas relações sociais, de modo que os "sólidos" valores humanos a cada instante tem se fragilizado entre os indivíduos na contemporaneidade. 

A política, bem como a economia estão entre as dimensões humanas mais valorosas em nossas vidas, não podemos em hipótese alguma abdicar do lugar que nos forjou, que foi a convicção de uma sociedade mais igual para se viver. Todavia, a sociedade, ela não é dada, notadamente ela é um paradoxo em efetiva ebulição nas diversas relações humanas, mas sobretudo em síntese temos dois projetos em disputa, um a favor dos opressores e um outro em defesa dos oprimidos. 

Neste ínterim, temos que estar ao lado da categoria dos explorados, este é nosso lugar do ponto de vista político, não podemos e nem devemos prescindir de tal projeto e essencialmente defende- lo, pois, "se você é capaz de tremer de indignação a cada vez que se comete uma injustiça no mundo (global e local), então somos companheiros" [Che Guevara]. 

Portanto, nossa tarefa maior é de ter a clareza de qual projeto nos motiva a continuar a luta em defesa de uma sociedade mais inclusiva e decente. 

#JivaldoOliveira
Pedagogo pela UNEB Serrinha BA
Especialista em gestão pública pela UNEB Serrinha BA

domingo, 24 de setembro de 2017

E quando o sol se por?

Passado, presente e futuro, que na visão normal de vida estabeleciam uma mudança cíclica na linha do tempo, hoje se confundem com pequenos ciclos, confundindo a mente da maioria do povo brasileiro. Como será o amanhã?

É de assustar, mas o passado em termos de Brasil está há pouco mais de dois anos. Um verdadeiro abismo separa o tempo da esperança de vida melhor, para os dias de hoje, que não se sabe ao certo como será sequer o dia de amanhã.  

Um mergulho no interior da Nação revela um mar de incertezas que de uma hora para outra invadiu corações e mentes de seus habitantes, principalmente os de menor poder aquisitivo. O que ontem era certeza, hoje só restou dúvidas.

Vivem-se guerras imaginárias e disputas vãs. O ódio tomou conta de uma grande parte da população, que luta pelo nada e odeia tudo. Não há projeto de mudança no país e muito menos perspectiva. Assiste-se o fim de uma era, com a morte do que se chamava de democracia representativa. A maioria dos políticos eleitos não representa ninguém e tampouco visa uma mudança na sociedade e sim, apenas e tão somente, acochambrar o velho capitalismo selvagem, em troca de privilégios, grana, fama, prestígios e principalmente enriquecimento ilícito.

Infelizmente dois terços dos políticos brasileiros da atualidade são apenas transeuntes da democracia e saqueadores do povo. Foram criados à luz do ódio plantado à política brasileira a mando da Casa Grande contra a Senzala Brasil e no senso comum de que todo político é ladrão. A boa política está na UTI junto com seus seguidores, enquanto a má política caminha a passos largos para tornar o Brasil novamente uma republiqueta dependente dos Estados Unidos e num futuro próximo novamente do FMI. Não foi atoa que o vampiro acabou com o Fundo Soberano criado no governo Lula.

Em apenas dois anos o país emergiu numa de suas piores crises, saindo de seis milhões de desempregados para mais de quinze e com o fim das principais políticas públicas que visavam o empoderamento da população e a melhoria na qualidade de vida de milhares de pessoas. Por certo essas pessoas eram felizes e nem se deram conta, que de uma hora para outra perderam simplesmente tudo. Acreditaram que a meritocracia lhes dera o que sempre sonharam e esqueceram que se tratava de uma conquista, é certo, mas construída por governos populares contra o império econômico que sempre dominou o país.

Pessoalmente tenho medo do escuro. Lembro-me de quando criança morando num sítio, onde a única luz externa era a do luar. Brincávamos nas casas com as sombras da luz de um candieiro e depois tínhamos medo na hora de dormir, lembrando-se das figuras que tínhamos projetado nas paredes. Assim está o povo brasileiro. Brincando com a sorte. Esnobaram do que tinham e hoje mal conseguem dormir com medo que o vampiro surja no meio da noite para lhes sugar, gota por gota, o sangue que ainda lhes resta, porém sem nenhuma disposição de lutarem pelo que perderam ou que certamente virão a perder..

É preciso muito determinação, companheirismo, solidariedade e trabalho em equipe com o foco na causa, para que se possa intervir nesse mar de ilusões que o PIG e a Casa Grande criaram. Só o enfrentamento organizado, com formação política e convicção de classe fará frente ao desmonte que o estado brasileiro passa na atualidade. Não haverá tréguas.

Quando o sol se por, mesmo com a falta de luz, poderemos até brincar com o que sonhamos para o amanhã, caso estejamos juntos, porém com o devido cuidado de separarmos os sonhos das fantasias e acreditarmos que a vitória só será possível se tivermos a determinação de construí-la passo a passo.

Lutar por uma causa é antes de tudo andar por entre veredas em busca do sol e de liberdade. É preciso curtir o luar e acreditar no que a minha mãe sempre diz: “Não há bem que sempre dure e mal que nunca se acabe”. Pura sabedoria. Uma frase extraída da vivência sofrida de uma família nordestina perdida em São Paulo e das experiências de seu dia a dia. Algo que a fez suportar muitas vezes a dor, em troca de momentos felizes vindos depois de muita luta.

Como dizia Paulo Freire: “A liberdade, que é uma conquista e não uma doação exige permanente busca. Busca permanente que só existe no ato responsável de quem a faz. Ninguém tem liberdade para ser livre: pelo contrário, luta por ela precisamente porque não a tem. Ninguém liberta ninguém, ninguém se liberta sozinho, as pessoas se libertam em comunhão”.
Antonio Lopes Cordeiro (Toni)
Estatístico e Pesquisador em Gestão Pública e Social
tonicordeiro1608@gmail.com

segunda-feira, 11 de setembro de 2017

O que existe do outro lado da ponte?


Do ponto de vista conceitual, é possível afirmar que uma ponte é qualquer estrutura que liga duas partes, interrompidas por algum obstáculo.

Do ponto de vista político e mirando na tragédia política brasileira da atualidade, se torna muito fácil analisar a “ponte” do ponto de vista do cenário político. O tal projeto “Ponte para o Futuro”, chamado pelo PMDB de projeto da modernidade e materializado pelo golpista traidor-mor, não passa de uma pinguela de material deteriorado, separando a população de um poço repleto de maldades e rodeado de vampiros sedentos por sangue humano. 

Uma ponte que levou o Brasil independente do FMI e com Fundo Soberano de reserva, de volta ao subterrâneo das trevas passadas e do ponto de vista trabalhista de volta ao início do século XX. Uma passagem rápida ao universo neoliberal e a submissão completa da classe trabalhadora ao capital.

Que fique claro, que o tal projeto foi formatado durante o primeiro governo Dilma e lançado oficialmente no encontro extraordinário que o PMDB fez, antes mesmo das últimas eleições e deixando explicito já na época, que se tratava de um projeto neoliberal, entreguista e chegando a ser pior do ponto de vista da submissão ao capital internacional, até mesmo se comparado com o do PSDB e equivalente em vários aspectos ao da Marina-Itaú.

O que é inacreditável vem do fato de não ter acontecido um rompimento político de governo naquele momento, principalmente com o PMDB. Ao contrário. O vampiro novamente foi convidado a continuar como vice da Dilma e poucos dias depois das eleições, chefiou, com total apoio do o PSDB e aliados, o golpe em curso. Um folhetim de quinta categoria do ponto de vista do enredo, bem conhecido, mas de uma sutileza maldosa fantástica, que fez o Brasil voltar em sua história há quase um século. O país que do ponto de vista do desenvolvimento econômico estava na transição da Teoria Y para a Z, volta de vez para a Teoria X, num processo quase de escravidão absoluta do ponto de vista trabalhista e enterra todos os avanços do início do século XXI.

Um fator se destaca entre tantos outros. O golpe só se viabilizou e continua a se viabilizar, seguindo seu curso natural, principalmente devido a fragilidade política que a esquerda se encontra, além do vácuo deixado pelos movimentos sociais e sindicais, ocasionando o fortalecimento da direita e o surgimento da extrema direita organizada, que resultou na eleição de dois terços do Congresso Nacional como seus representantes.

Como explicar, por exemplo, que o patronato elegeu 75% de seus representantes em função dos trabalhadores e mesmo assim, uma grande parte dessa parca representatividade trabalhista seja representada pelas centrais sindicais que apoiaram o golpe?  Por isso a força da direita de exterminar direitos e impor derrotas uma atrás da outra.

Quero crer que essa “coisa” implantada na marra, em conluio com mais da metade do Congresso e conivência com parte do judiciário, tem o real propósito de servir de passagem de toda elite brasileira para uma nova casa-grande. Algo moderno e depois disso implodir a ponte para que a senzala Brasil não ouse, por um longo tempo, atravessá-la novamente. É a volta do passado a ameaçar o futuro. É a volta da pirâmide econômica como reza o Consenso de Washington.

Aprendi com a vida que cada crise tem lá suas experiências a serem tiradas e essa que envolve o Partido dos Trabalhadores não é diferente. Há de se aprender com os erros. Punir quem tem que ser punido e usou o partido para se beneficiar. Fazer uma autocrítica pública e nacional dos erros cometidos por essas pessoas e fazer uma defesa intransigente de todos e todas do partido que estão, injustamente sendo perseguidos.

Ao usarmos a figura da ponte como metáfora, podemos analisá-la a partir das nossas interpretações da própria vida. Nesse caso a ponte pode ligar o passado ao presente, o interior do nosso ser ao mundo real, ou ainda servir de contexto para falarmos do futuro. A ponte visa uma passagem. Um caminhar para seu outro lado e quem sabe uma mudança circunstancial em nossas vidas.

Que a única ponte que tenhamos que atravessar seja a que nos leva a uma mudança da sociedade atual, para uma sociedade justa, fraterna e igual para todos e todas. 

Antonio Lopes Cordeiro (Toni)
Estatístico e Pesquisador em Gestão Pública e Social
tonicordeiro1608@gmail.com

terça-feira, 29 de agosto de 2017

Para que serve a tristeza?


A tristeza é um sentimento humano pautado normalmente por perdas e pela nossa incapacidade de resolvermos situações ou ainda de traduzirmos os enigmas e as encruzilhadas que a vida nos põe no caminho. Como resposta, o cérebro libera hormônios chamados neurormônios, que são responsáveis pela angústia, melancolia ou coração apertado.

A tristeza pode servir para nos colocar novamente na condição de humano normal, pois em muitas ocasiões das nossas vidas, por descuido ou por vaidade, nos afastamos do trivial, do convencional, do que sempre é ou do que ainda poderia ser e vamos trilhando por veredas como se a vida fosse finita e não dependêssemos de alguém, de um par, de amigos e principalmente da estabilidade emocional necessária para se envelhecer bem.

Com a tristeza vem o medo providencial, que em muitos casos nos previne e nos afasta de possíveis tragédias e principalmente vem à plena convicção de que não somos nada diante do universo. Somos partículas que se juntam para formar o que se chama de sociedade, também imperfeita, desigual, porém com uma capacidade imensa de nos oferecer novos caminhos e caminhadas.

Existe uma verdade quase absoluta na vida humana, que se define pelo fato de que ninguém consegue ser feliz a vida inteira, mas em grande parte das vezes, trocamos uma possível reflexão do que temos e a necessidade de se voltar ao passado como condição de ajustar o foco para o futuro, por algo momentâneo e em muitos casos irreal, que certamente, mais dias, menos dias, nos levará à tristeza.

Do ponto de vista geral, vivemos tempos difíceis, capazes de transformar a felicidade em fragmentos e se nutrir apenas de tristeza. Uma tristeza coletiva, que só uma causa poderá intervir na construção do amanhã.

Do ponto de vista pessoal, antes de ser um militante político por uma causa clara e definida, humano que sou me descubro como ser imperfeito capaz de quebrar um belo jarro de cristal por não entender sua pureza e necessidade de cuidados especiais, mas também com muita disposição de ir buscar no infinito, matérias que possam refazer o jarro quebrado.

Que a vida possa me levar ao universo da minha imperfeição e com isso possibilite a descoberta do que ainda procuro em termos de vida.

Existe um proverbio Árabe que diz: "A árvore quando está sendo cortada, observa com tristeza que o cabo do machado é de madeira".

Antonio Lopes Cordeiro
Estatístico e Pesquisador em Gestão Pública e Social
tonicordeiro1608@gmail.com

domingo, 27 de agosto de 2017

A solução é vender o Brasil?

Está na hora do povo tomar lado sobre este verdadeiro desmonte do patrimônio nacional.

*Leonardo Koury Martins
Lá se vão aeroportos, Casa da Moeda, indústria nacional, água e energia - Créditos: Reprodução

Lá se vão aeroportos, Casa da Moeda, indústria nacional, água e energia / Reprodução

E se passaram pouco mais de um ano e lá se vão aeroportos, Casa da Moeda, pedaços soltos da indústria nacional do petróleo (como a Gaspetro e refinarias) e se deixar até a energia e a água se vão neste país!
Se fosse música da Xuxa (cômico e trágico), "está na hora está na hora" do povo tomar lado sobre este verdadeiro desmonte do patrimônio nacional. Não se trata apenas de precarização dos direitos sociais ou do fim do conceito de seguridade social.
O que está em jogo é a soberania e o conjunto nacional que nos fazem ser um só povo. Imagine, nossas águas e geração de energia nas mãos de empresas estrangeiras. Nossa numeração de moeda e passaporte disposta por empresários. Nossa aposentadoria na instabilidade dos bancos privados. 
Então, imagine que a nossa luta a cada dia se torna mais difícil frente ao modelo de estado posto, que desvaloriza toda história que trabalhadoras e trabalhadores arduamente construíram.
Raul Seixas em seus devaneios musicais, ao conhecer Temer e correlacionar o novo golpe vivido (não mais militar e sim civil) diria que estes golpistas, de tão ousados, nem mesmo pensam em aluguel. Para eles a solução para enfrentar as crises do capitalismo (que idolatram) é vender o Brasil.
O mínimo do mínimo jamais será um todo como tudo que construímos e hoje ainda temos. Não se desespere, lute!
*Leonardo Koury Martins é assistente social e professor
Artigo reproduzido da Revista Brasil de Fato
https://www.brasildefato.com.br/2017/08/24/artigo-or-a-solucao-e-vender-o-brasil/
Edição: Frederico Santana

segunda-feira, 14 de agosto de 2017

SOCIEDADE LÍQUIDA

Final de tarde de domingo (dia dos pais), assistindo a um show do Eric Clapton na televisão, pego o livro do Humberto Eco, “Pape Satàn Aleppe – crônicas de uma sociedade líquida” para começar a lê-lo.

Sua primeira crônica é a que empresta o subtítulo ao livro, “crônicas de uma sociedade líquida”. Já em seu início, começo a marcar a caneta algumas linhas. Ao final, ainda ao som do Eric, resolvo reproduzir a crônica e dividir com quem ler este texto. Só conseguiria dar continuidade a leitura do livro depois disso. Divirtam-se e preocupem-se. Há braços.
Sociedade Líquida – Umberto Eco (2015)

A ideia de modernidade ou sociedade “líquida” deve-se, como todos sabem, a Zygmunt Bauman. Para quem quiser entender as várias implicações do conceito, a leitura de “Estado de crise” (Zahar, 2016), onde Bauman e Carlo Bordomi discutem estes e outros problemas, pode ser útil.

A sociedade líquida começou a delinear-se com a corrente conhecida como pós-modernismo (aliás um termo “guarda-chuva” sobre o qual se amontoam diversos fenômenos, da arquitetura à filosofia e à literatura, e nem sempre de modo coerente). O pós-modernismo assinalava a crise das “grandes narrativas” que se consideravam capazes de impor ao mundo um modelo de ordem e fazia uma revisitação lúdica e irônica ao passado, entrecruzando-se em várias situações com pulsões niilistas. Mas para Bordoni, o pós-modernismo também conheceu uma fase de declínio. Era um movimento de caráter temporário, pelo qual passamos quase sem perceber, e que um dia será estudado, assim como o pré-romantismo. Servia para analisar um acontecimento em andamento e representou uma espécie de bolsa que levava a modernidade a um presente ainda sem nome.

Para Bauman, entre as características deste presente nascente podemos incluir a crise do Estado (que liberdade de decisão ainda tem os Estados nacionais diante dos poderes das entidades supranacionais?). Desaparece assim uma entidade que garantia aos indivíduos a possibilidade de resolver de modo homogêneo os vários problemas de nosso tempo, e com sua crise, despontaram a crise das ideologias, portanto, dos partidos e, em geral, de qualquer apelo a uma comunidade de valores que permita que o indivíduo se sinta parte de algo capaz de interpretar suas necessidades.

Com a crise do conceito de comunidade, emerge um individualismo desenfreado, onde ninguém mais é companheiro de viagem de ninguém, e sim seu antagonista, alguém contra quem é melhor se proteger. Este “subjetivismo” solapou as bases da modernidade, que se fragilizaram dando origem a uma situação em que, na falta de qualquer ponto de referência, tudo se dissolve em uma espécie de liquidez. Perde-se a certeza do direito (a justiça é percebida como inimiga) e as únicas soluções para o indivíduo sem pontos de referência são o aparecer a qualquer custo, aparecer como valor (fenômenos que abordei com frequência nas “Bustinas”), e o consumismo. Trata-se, porém, de um consumismo que não visa a pose de objetos de desejo capazes de produzir satisfação, mas que torna estes mesmos objetos imediatamente obsoletos, levando o indivíduo de um consumo a outro numa espécie de bulimia sem escopo (o novo celular nos oferece pouquíssimo a mais em relação ao velho, mas descarta-se o velho apenas para participar dessa orgia do desejo).

Crise das ideologias e dos partidos: alguém já disse que estes últimos se transformaram em táxis que transportam caciques políticos ou chefes mafiosos que controlam votos, que escolhem em qual embarcarão com desenvoltura, segundo as oportunidades que oferecem – o que até torna compreensível e não mais escandaloso os vira-casacas. Não somente os indivíduos, mas a própria sociedade vive em um contínuo processo de precarização.

O que poderá substituir esta liquefação? Ainda não sabemos e este intervalo ainda vai durar muito. Bauman observa que (com o fim da fé numa salvação proveniente do alto, do estado ou da revolução) os movimentos de indignação são típicos de períodos de intervalo. Estes movimentos sabem o que não querem, mas não o que querem. E recordo aqui que um dos problemas levantados pelos responsáveis da ordem pública a propósito dos “black blocs” é a impossibilidade de rotulá-los, como se fazia antes com os anarquistas, os fascistas, as Brigadas Vermelhas. Eles agem, mas ninguém sabe mais quando e em que direção. Nem eles mesmos.

Existe um modo de sobreviver à liquidez? Existe e é justamente perceber que vivemos em uma sociedade líquida que, para ser compreendida e talvez superada, exige novos instrumentos. Mas o problema é que a política e grande parte da “intelligentsia” ainda não entenderam o alcance do fenômeno. Por ora, Bauman continua a ser uma “vox clamantis in deserto”.

Sérgio Mesquita

Secretário de Formação do PT-Maricá

domingo, 13 de agosto de 2017

De onde vem essa passividade absurda do povo brasileiro da atualidade?

O Brasil, desde sua invasão pelos portugueses em 1500, somou uma grande quantidade de embates, lutas, revoltas e revoluções. Quero crer que o século XIX tenha sido o responsável pelo maior número desses enfrentamentos, porém foi no século XX que o país experimentou as ditaduras mais sangrentas e em todas elas houve enfrentamento. Ou seja, um povo determinado a lutar por seus direitos políticos e sociais, por liberdade e por justiça social. 
Com base nessa breve análise, como explicar essa passividade absurda ocorrida num momento em que o Brasil é desmontado, a partir de uma nova modalidade de golpe? Como analisar o comportamento inerte de trabalhadores e trabalhadoras, mesmo tendo perdido todos seus direitos? Cadê suas entidades representativas? Como não ficar pasmo com o congelamento do investimento público em saúde, educação e assistência social por vinte anos? Cadê os profissionais da área? Cadê as panelas?
Uma grande parte de pessoas da minha geração, criada em plena ditadura militar e fazendo o enfrentamento do jeito que foi possível, jamais se acostumará com a passividade atual, ainda mais para quem como eu, luta por uma sociedade justa, fraterna e igual para todos e todas. Militamos por uma causa de justiça, liberdade, enfretamento a todas as formas de exclusão e de plena solidariedade com quem passa por necessidades.
Somos de uma geração que sonhou com a liberdade, que cantou e lutou contra os inimigos da época e se alinhou aos povos latinos pela completa liberdade da nossa América Latina. Como entender o completo desprezo às lutas e aos direitos sociais? Como aceitar o ódio como pauta principal de alguma mudança? Como entender que na maior parte dos estabelecimentos públicos o único instrumento de lazer seja a globo? Uma emissora a serviço dos golpistas seja militares ou civis como do golpe atual. Brizola tinha razão quando afirmava que a globo era um instrumento servil, que servia ao imperialismo americano e contra o povo brasileiro.
Há pouco mais de dois anos a sociedade brasileira, mais especificamente as famílias mais necessitadas ensaiavam voltar a sonhar. Havia emprego, condições de comprar uma casa, seus filhos estudando, entre tantas conquistas e um pedreiro era disputado a preço de ouro. A felicidade fazia parte do cenário nacional, tanto nas cidades como nos campos. É como se irmanados por um sentimento de paixão, porém não tão distante da razão, se juntassem para dançar em plena chuva de verão, tamanha era o saldo positivo de suas conquistas. Como tudo desmoronou em tão pouco tempo?
A velha mídia teve um papel fundamental nessa mudança de comportamento. Cumplice do poder global, escravagista por princípios e sempre aliada à direita e à extrema direita, essa velha mídia golpista brasileira se apresenta hoje como o quarto poder e reivindica ou impõe uma verdade quase absoluta, ditando regras, fazendo análises absurdas e confundindo a cabeça de milhares de pessoas, além de ter candidatos, fazer campanha declarada e perseguir os partidos do campo da esquerda, principalmente o Partido dos Trabalhadores.
Quem dá esse poder à mídia? Quem legitima essa situação? Que instrumentos poderão ser usados para se contrapor a esse falso poder?
Ouvindo e assistindo os últimos noticiários, em qualquer veículo de comunicação do que chamamos de PIG (Partido da Imprensa Golpista), a impressão que temos é a de que fora descoberto por ela o “olho do furacão” e o epicentro do tremor de terra que abalou a velha republica tupiniquim. Na calada noite, enquanto o povo assistia a tevê, lia veja e ouvia a CBN e a esquerda só pensava em cargos, a direita e a extrema direita invadiu o mundo da política e o imaginário de milhares de brasileiros e brasileiras e instalou o caos, seguindo um velho roteiro bastante conhecido pela militância, porém desconhecido pela maioria da sociedade e com grande poder de persuasão.
Como resultado, as ruas estão abarrotadas de transeuntes, milhares de desempregados e desempregadas para fortalecer o Exército Industrial de Reserva e um número jamais visto de pessoas depressivas.
O momento atual, em minha concepção retrata um drama mal resolvido como sempre foi em épocas de crise e o pior ninguém consegue decifrar nesse momento se é mais uma peça teatral de comédia da vida ou de mais um folhetim escroto, como aqueles que passam na mãe do PIG.
Uma coisa é certa. Ou o povo de bem brasileiro se une para mais uma revolta popular, como tantas que já ocorreram, principalmente no Brasil Colônia, ou terão que decidir de última hora se morrerão de fome ou em luta por sobrevivência.
Da minha parte e de milhares de combatentes, vamos subvertendo a ordem. Criando Fóruns de Cidadania, Comitês de Resistência, Observatórios Políticos e capacitando para liberdade um grande número de pessoas que enxergam no presente uma grande oportunidade de organizar o maior levante popular que essa república já viveu. 
Quem viver verá!
Antonio Lopes Cordeiro (Toni)
Estatístico e Pesquisador em Gestão Pública e Social
tonicordeiro1608@gmail.com