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quinta-feira, 31 de outubro de 2013

Uma outra história sobre a África


Como afirmou o Ex-Ministro Franklin Martins, ontem no segundo debate "Conversas sobre África", coordenado por Celso Marcondes do Instituto Lula (www.institutolula.org): "Somos africanos, o Brasil tem que entender isso".

Franklin Martins, dando continuidade ao trabalho que iniciou ainda como Ministro da Comunicação Social do Governo Lula e hoje como conselheiro do Instituto Lula, é o criador e apresentador da série de Documentários “Presidentes Africanos”, em exibição nos Canais Discovery Civilization e TV Bandeirante. Um trabalho de altíssima qualidade e de muitas informações, que jamais chegariam ao nosso conhecimento pela mídia tradicional.

Segundo Franklin, pelos dados levantados nos países africanos, saíram da África para outros países mais de 12 milhões de escravos, sendo mais de 4 milhões e 800 mil para o Brasil. Essa mistura Brasil-afrodescendente está no nosso DNA e como afirma Franklin Martins, sabemos mais do Japão do que da África e esse desinformação não é por acaso, faz parte do enorme preconceito ainda existente no país. Não estão incluídos nesses números os escravos mortos e nem os que foram sequestrados. Portanto, avalia-se um número muito maior. 

Ainda segundo ele, existem muitas Áfricas, muitas delas com alto grau de desenvolvimento econômico e social, porém ainda com pelo menos 20% da população, em estado de alta vulnerabilidade social. O Brasil é tido pelos africanos como a África que deu certo, enfatizado pelos resultados dos últimos dez anos de governo. 

Aproveitando essa conversa sobre a África, gostaria de comentar um trabalho que me chamou a atenção. Trata-se do trabalho realizado, sob a coordenação de Natanael dos Santos e sediado no Hotel Solar das Andorinhas em Campinas. O trabalho é centrado em duas modalidades:

O primeiro é o da Editora & Gráfica África Brasileira, com livros bem elaborados, inclusive um deles com leitura magnética para pessoas com deficiência  visual e o segundo a Aula Dramatizada Minha África Brasileira, onde um grupo de teatro interpreta a história da África no Brasil para alunos de diversos anos.

Segundo seu criador, a CIA Liberdade de Teatro, hoje também Editora & Gráfica África Brasileira, tem como propósito desenvolver e editar obras que garantam a singularidade e identidade para a inserção e conhecimento da história do negro no currículo das escolas brasileiras, em como obras que contribuam para acessibilidade.

“As obras de autoria de Natanael dos Santos – nosso autor destaque – foram criadas a partir de pesquisas cientificas e uma constante busca pela inserção do negro no contexto social, de forma a evidenciar suas contribuições culturais e tecnológicas em nossa sociedade, em defesa de que NÃO EXISTE PRECONCEITO E SIM FALTA DE INFORMAÇÃO e QUE AS NOSSAS DIFERENÇAS NÃO FAÇA A MENOR DIFERENÇA”.

“Os desafios da educação brasileira, na sua dimensão de qualidade, serão superados juntamente com as escolas, valorizando as diferenças e nunca se transformando num ambiente de reprodução das desigualdades sociais. A garantia do direito de aprender tem que ser democraticamente igual para todos".

Imagino ser uma boa pedida para as Escolas em geral, principalmente com referência à Semana da Consciência Negra e seu dia comemorado em 20 de novembro.



“Eu odeio o racismo, pois o considero uma coisa selvagem, venha ele de um nogro ou de um branco” – Nelson Mandela.


Antonio Lopes Cordeiro
Pesquisador em Gestão Pública e Social
Laboratório de Gestão e Políticas Públicas - Fundação Perseu Abramo

terça-feira, 29 de outubro de 2013

A militância do poder popular e o profissional de militância

Graúna e o Poder Popular - Henfil


Para as pessoas da minha geração, ou que passaram dos cinquenta anos de vida e tiveram uma vida ativa em termos de participação política e social, a palavra militância política soa de forma tranquila e como uma extensão das nossas próprias vidas, simplesmente pelo fato de que tínhamos um mal maior a ser combatido, que era a ditadura militar e contra ela todos se juntavam numa grande luta, num grande cenário coletivo nacional. Porém, nos dias de hoje a militância por uma causa virou uma opção de poucos, substituída pela militância profissional.


Ser militante é estar inserido no contexto de uma causa, na defesa intransigente das convicções políticas, sociais e principalmente humanitárias dessa causa, na defesa da vida, tendo como principal elemento um projeto coletivo e não pessoal. É algo que requer um trabalho em grupo e principalmente disposição para um trabalho voluntário. Não existe militante assalariado, a não ser que o grupo delibere a necessidade de liberação de um “quadro político”, para ampliação do trabalho.

Em 2010, próximo das eleições, a revista Isto É, numa das edições de julho, trouxe uma reportagem com o título “Profissão: militante”. A reportagem afirmava que o antigo modelo de militância política não existe mais, pois os partidos lançam às ruas batalhões remunerados. Tendo a discordar em parte da reportagem, pois existem evidências de que ainda há um grande contingente de pessoas que dedicam grande parte de suas vidas à militância política e sonham com uma mudança efetiva da sociedade, onde homens, mulheres, negros, brancos, pessoas com e sem difidência, desfrutem de direitos e oportunidades iguais, porém por outro lado, muitos militantes do passado se apaixonaram pelo poder e trocaram suas causas coletivas por interesses pessoais.

Após esse breve relato gostaria de chamar a atenção para algo que considero ainda mais grave do que a ausência de uma causa que dê vida à militância política para muitas pessoas, que é o poder exercido pelos mandatos, de qualquer cargo público, em todas as esferas: municipal, estadual ou nacional. Esse fato acontece praticamente em todos os partidos. É claro que a coisa é mais complicada nos partidos conservadores, porém é uma prática que não isenta os partidos de esquerda, pois o poder de um mandato alimentado por algumas troca de favores, garante um batalhão remunerado para as próximas eleições  e a certeza para muitos da reeleição.

O que dá para se notar é que onde o poder do mandato atua de forma intransigente, desaparece o poder do partido, confundindo a cabeça dos militantes e colaborando cada vez mais para a afirmação feita pela mídia conservadora, de que não existem partidos políticos no Brasil e sim legendas de aluguel, para cumprir um papel na democracia e abrigar grupos políticos e seus interesses. Verdade ou mentira? Infelizmente em alguns casos isso é quase uma verdade absoluta.

No caso do Partido dos Trabalhadores, essa polêmica está presente na disputa do PED (Processo de Eleição Direta), onde todos os candidatos a presidente nacional do partido promete combater e colocar o partido acima dos mandatos, porém, apesar do esforço de todos, sabemos que não será uma tarefa fácil, mesmo porque se trata de algo cultural, que perpassa as questões políticas, onde os eleitos passaram a enxergar seus mandatos como uma profissão. A aprovação no IV Congresso de que nenhum eleito ao legislativo, a partir do Congresso, em qualquer esfera, poderá ter mais do que três mandatos e dois no caso do senado, disciplina o fato de não tornar os cargos eleitos em profissão, além de forçar os legisladores a criar um link com a sociedade, tanto no exercício do mandato, como principalmente para depois, no caso de alguém que enxerga o mandato como uma passagem para uma próxima etapa. 

Quem defende essa prática de mandato com poder absoluto, também defende que só tem força na disputa política quem tem “garrafinhas” para contar. Sabe quem são as garrafinhas? O povo, que mesmo sem participar do processo decisório,  é assediado para votar. 

Acredito que só após uma profunda Reforma Política, amplamente discutida com a população e a efetiva participação da sociedade em todas as decisões políticas, poderá fazer com que se moralize a política e o uso dos recursos públicos. Só o poder popular pode conduzir e mediar o que é melhor para a população, principalmente a mais necessitada. 

Para finalizar, reproduzo uma belíssima frase de um filósofo político anglo-irlandês, chamado Edmund Burke: “Quanto maior é o poder, mais perigoso é o abuso”.



Antonio Lopes Cordeiro
Pesquisador em Gestão Pública e Social
Laboratório de Gestão e Políticas Públicas - Fundação Perseu Abramo

sexta-feira, 25 de outubro de 2013

A diferença de uma gestão participativa daquelas que o gestor principal quer ser maior que seu povo

Figura: barradaestiva.ba.gov.br

Hoje estive na Prefeitura de São Bernardo do Campo e tive acesso a uma revista muito bem elaborada a respeito da prestação de contas do PPA – Plano Plurianual Participativo para 2014 a 2017.  O processo e o resultado traduzem exatamente o que sempre imaginei.

Apenas como informe para quem ainda não tem muita habilidade com esse instrumento, vale dizer que o PPA está previsto no Artigo 165 da Constituição Federal e regulamentado pelo Decreto 2.829 de 29 de outubro de 1998. Trata-se de um instrumento de planejamento, onde consultas, estudos e prospecções, compõem o cenário para estabelecimento das diretrizes para um período de quatro anos de governo.

Começar pelo PPA facilita o processo de entendimento da população, como também de remanejamento de recursos, caso necessite. Alem disso é necessário que os gestores entendam do que se trata.

O diferencial nessa história é o método. Fazer com a população. Criar junto e seguir a risca o lema do PPA Participativo de São Bernardo do Campo: “Juntos fizemos muito. Juntos faremos ainda mais”.

No meu caso, o mais importante foi pegar nas mãos uma obra completa. Algo com vida, pois representa a materialização de milhares de pessoas que participaram das principais decisões e propostas ali contidas.

Aliás, só consegue entender o que estou falando, quem participou ou participa de algum setor da sociedade em busca de seus direitos, não esquecendo que só se luta por direito quem de alguma forma seus direitos foram suprimidos.


A participação é algo tão necessário, que não consigo respeitar um governo que se esconde atrás de velhos vícios para negar o que é de direito da população.


Antonio Lopes Cordeiro
Pesquisador em Gestão Pública e Social
Laboratório de Gestão e Políticas Públicas - Fundação Perseu Abramo

quarta-feira, 23 de outubro de 2013

Trabalho - Cidadania - Política: uma questão de gênero

Patricia Rodrigues *


A noção moderna de trabalho foi dada pela economia política clássica e nos leva a duas definições. A primeira definição nos remete a uma discussão antropológica de trabalho como característica da ação humana. Para Karl Marx (1818-1883) o trabalho é um ato que se passa entre homem e natureza, onde o homem coloca em movimento sua inteligência e força a fim de transformar as matérias da natureza lhes dando uma forma útil.  Ao mesmo tempo em que age sobre a natureza exterior modificando-a ele modifica sua própria natureza desenvolvendo suas faculdades.

A segunda definição nos remete ao caráter histórico/social do trabalho, que parte do fato de que as trocas entre homem e natureza se produzem em determinadas condições sociais que definem o modo de produção no tempo histórico.

É sobre a perspectiva histórico/social que quero abordar a questão de gênero, ou mais precisamente das mulheres, a partir da noção de trabalho assalariado. Problematizo aqui o conceito de “divisão sexual do trabalho” como um dos problemas chaves da participação da mulher na vida pública, política, no mundo do trabalho e como sujeito de direitos.

A divisão sexual do trabalho é a forma da divisão do trabalho social que decorre das relações sociais de sexo e sua forma é adaptada historicamente e em cada sociedade, tem como característica a destinação prioritária dos homens a esfera produtiva e das mulheres à esfera reprodutiva.

O atual modelo de produção se baseia na negação do trabalho reprodutivo ou doméstico como trabalho produtivo e o nosso sistema se equilibra inviabilizando as atividades que sustentam esse trabalho produtivo – cuidados com as roupas, alimentação, apoio emocional, etc.

A dicotomia trabalho produtivo e reprodutivo está na raiz da desigualdade entre homens e mulheres e produz a separação entre o que é esfera pública e privada. O privado fica reservado assim a esfera doméstica cabendo aí o papel da mulher e a esfera pública está relacionada ao mundo do trabalho produtivo, da política e ao papel do homem como provedor. As relações sociais de sexo ou o conceito de divisão sexual do trabalho permitem dessa forma esclarecer que o tempo do trabalho assalariado ou remunerado é na verdade condicionado pelo tempo do trabalho doméstico e de cuidados não remunerado.  Desse modo, as questões que se relacionam a ocupação das mulheres nos espaços públicos e políticos não podem estar apartadas da discussão sobre a divisão sexual do trabalho que não se resume na separação entre esfera reprodutiva versus esfera produtiva, posto que dentro da própria esfera produtiva há divisão do trabalho entre as tarefas femininas e masculinas.

Mas a divisão sexual do trabalho também não pode ser considerada mera divisão de funções sociais, uma vez que está estruturada sobre um sistema de opressão, desigualdade e de relação de poder, fatores que tem implicações na construção e na forma de organização espaços públicos bem como na constituição da própria noção de cidadania nos Estados modernos, formados com base nessas relações assimétricas.

Relacionando isso à formação dos Estados de bem-estar-social, percebemos uma verdadeira assimetria de gênero desde sua constituição uma vez que se constituíram com base no modelo de trabalho produtivo feito pelos homens, portanto homens disponíveis ao trabalho assalariado e delegava às mulheres a maior parte do trabalho reprodutivo. Não se trata somente de garantia ou não de direitos aos trabalhadores, mas o fato de que a constituição da própria cidadania nos estados de bem-estar-social é “frágil” e limitada porque constituída com base em um modelo que reforça as desigualdades a partir da reafirmação da divisão sexual do trabalho.
Em muitos países, como no Brasil, a entrada das mulheres no mercado de trabalho não só não resolveu as desigualdades entre homens e mulheres como reforçou a divisão sexual do trabalho, mantendo o padrão de desigualdade em relação a remuneração e aos postos ocupados por elas, e ao entrarem massivamente no mercado de trabalho, as mulheres continuam cumprindo as funções do trabalho produtivo e reprodutivo de modo simultâneo, sem que necessariamente haja compartilhamento das funções domésticas.

Um estudo realizado pela OIT (Organização Internacional do Trabalho) revela que a jornada de trabalho média dos homens é de 43,4 horas por semana, enquanto a das mulheres é de 36 horas. Ao todo, durante a semana, a jornada de trabalho feminina chega a 58 horas, enquanto a masculina atinge 52,9 horas. Ao somar o tempo que elas dispendem para o cuidado dos filhos e das tarefas domésticas, o tempo de trabalho das mulheres supera o dos homens em cinco horas por semana, o que significa dizer que as mulheres trabalham dez dias a mais por ano que os homens.

Com o aumento da renda das famílias, aumentou a demanda pelos serviços da trabalhadora doméstica, esse setor hoje emprega mais de 6,7 milhões de mulheres contra 500 mil homens, o que coloca o Brasil como o maior mercado de mão de obra doméstica do planeta. Há como agravante o fato de nossos espaços e serviços públicos não responderem à necessidade de compartilhar o trabalho reprodutivo, há um déficit de equipamentos como creches, escolas em período integral como em serviços de saúde e apoio a idosos, restaurantes e lavanderias coletivas.

Um avanço importante nesse sentido foi a aprovação da Emenda Constitucional 72/2013, conhecida como PEC das Domésticas, que garante os mesmos direitos trabalhistas para as trabalhadoras domésticas.

Um dos argumentos que aparece tanto do lado de quem critica como de quem defende a PEC é a alegação de que o espaço doméstico não é produtivo, não gera riquezas. Outras pessoas afirmam que com a aprovação da PEC haverá milhares de demissões, gerando uma “crise do cuidado”. A crise do cuidado é o termo que vem sendo utilizada para tratar de uma série de temas que têm como consequência a recusa feminina em trabalhar de graça.

A aprovação da PEC na verdade coloca em pauta a estrutura e dinâmica do trabalho doméstico na nossa sociedade e permitem romper o ciclo que transfere a sobrecarga do trabalho doméstico e de cuidados sempre para as mulheres. A equidade de direitos entre trabalho doméstico e outras formas de trabalho é um passo importante na conquista de diretos e equiparação das trabalhadoras aos trabalhadores, tendo em vista que as mulheres continuam trabalhando mais e ganhando menos.

Isso nos remete à pergunta fundamental sobre a relação entre cidadania e a esfera pública.  Tradicionalmente supunha-se que a cidadania fosse associada à esfera pública, tanto nos direitos quanto nos deveres. Mas muitas mulheres ainda vivem grande parte de sua vida dentro de esferas privadas, domésticas, e não públicas e algumas perguntas se interpõem.

O trabalho não remunerado de cuidados é compatível com a plena cidadania da mulher nos espaços públicos? A noção tradicional de cidadania política se concentra na prática de eleições livres como meio de alcançar a democracia. Mas a presença de mulheres seria importante ou somente seu direito de votar?

No Brasil, a luta pelo direito de as mulheres votarem teve início ainda no século XIX mas constitucionalmente as mulheres conquistaram o direito ao voto em 1932 e somente em 2010 elegemos a primeira mulher ao posto mais alto da República.
A concorrência das mulheres em cargos políticos é, portanto, um processo muito recente na vida da democracia brasileira, que sempre contemplou um número muito maior de homens concorrendo a cargos políticos.

O Brasil ocupa hoje o 120° lugar na proporção de mulheres nos Parlamentos e, se considerarmos nossa participação nos executivos, esse ranking despenca mais ainda, tendo em vista que ainda não é obrigatório o registro na chapa de mulheres para disputa dos postos executivos. O avanço, nesse sentido, depende de que, além de concorrem às eleições, essas mulheres tenham condições reais de disputar e ganhar.

Apesar do crescimento nos últimos anos, o percentual de mulheres na política continua sub-representado, tendo em vista que apenas 8,7% de mulheres foram eleitas para os postos do legislativo na última eleição e embora representem 51,7% dos eleitores brasileiros, a participação das mulheres na Câmara dos Deputados é de 9%, número semelhante aos 10% registrados no Senado. No Poder Executivo, a situação não é diferente: das 26 capitais, somente uma têm mulher como Prefeita.

As políticas de ação afirmativas - seja por meio de estabelecimento de cotas que garantam mecanismos partidários de mais mulheres na direção, seja por meio de ações que obrigam que pelo menos 30% de mulheres estejam registradas nas chapas de disputas para cargos legislativos - são políticas que disputam a correlação de forças da nossa sociedade e permitem que avancemos por uma maior participação na vida política/pública, e mais do que isso, com condições de efetivar esses mecanismos e de realmente ocuparmos esses espaços de maneira paritária.

Há estudos que demonstram que as políticas relevantes, para as mulheres, são mais frequentemente implementadas pelos governos quando as mulheres estão presentes nos espaços de decisão, o que demonstra que somente eleições livres por si só não garantem a democracia plena e que as mulheres estejam presentes nos espaços políticos fundamentais.

Assim a presença cada vez maior das mulheres nesses espaços implica na necessidade de reestruturar completamente as relações sociais pautadas na divisão sexual do trabalho com base na reformulação e ampliação dos direitos e na constituição da cidadania feminina.


* Patricia Rodrigues – é Cientista Social formada pela USP, coordenadora do MOSCA (Movimento Social Cidadania Ativa), militante da Marcha Mundial das Mulheres e Conselheira Municipal de Juventude da Cidade de São Paulo.











segunda-feira, 21 de outubro de 2013

O que quer o setor privado ao financiar uma campanha eleitoral?

Figura: aespeciaria.blogspot.com

O que leva uma empreiteira como a Camargo Correia doar nos últimos dez anos, algo em torno de R$ 178,3 milhões de reais para campanhas eleitorais de diversos partidos e candidatos? O que as empresas ganham em troca, visto que na política “mercantilista”, o lema é: dando que se recebe? Como fica o cidadão que vota pensando que seu candidato vai dar a alma para defender seus direitos?

São perguntas embaraçosas de se responder, principalmente por não dá para explicar, de forma simples, a não ser troca de favores o porquê um candidato troca o apoio popular por recursos privados, mesmo sabendo que terá que prestar contas para seus credores, que na melhor das hipóteses querem privilégios. A desculpa alegada é a de que uma eleição custa muito caro e para ser competitivo tem que investir muito, principalmente em propaganda e pessoas para apoios.

A Revista do Brasil de setembro último tem como  título de capa: “A Bactéria da Corrupção – O financiamento privado de campanhas adoece a política”. “Pesquisas revelam que a população não quer dinheiro de empresas nas eleições”. A reportagem traz dados preocupantes sobre os diversos interesses que estão contidos nesse tipo de ajuda eleitoral.

Em se falando de trabalhadores, que no post anterior citei a colocação do Presidente da Fundação Perseu Abramo, Marcio Pochmann, que avaliou que o sindicalismo brasileiro vive um drama de concepção, a matéria revela, com base nos dados do DIAP, que dos 513 deputados federais e 81 senadores: 273 são empresários, onde essa bancada passou de 219 em 2006 para 273 em 2010 e os trabalhadores, só foram eleitos 72, que podem ser considerados da bancada sindical. Segundo a reportagem, isso explica a dificuldade de aprovação do Projeto de Lei 4.330, que regulamenta a terceirização.

Além da extensa relação de doadores em toda parte do país, onde a maioria é empreiteira, com doações para todos os principais partidos políticos, o fato que melhor ilustra essa conversa foi a do Senador Demóstenes Torres que recebeu R$ 700 mil do empresário Wilder Morais e quando foi cassado, advinha quem assumiu como seu suplente? O próprio Wilder Morais. Um verdadeiro escândalo, algo combinado antecipadamente.

Na verdade essas empresas elegem seus representantes, como alguém que vai facilitar o processo ou fazer vistas grossas, enquanto os trabalhadores, mal representados em diversas categorias, vão apenas assistindo seus direitos serem delapidados e ainda um risco eminente de perda dos principais direitos trabalhistas.

Do ponto de vista eleitoral, defendemos uma Reforma Política ampla, que por uma iniba as empresas e por outro crie regras claras para a população. Já que vamos pagar a conta de qualquer jeito, se faz necessário sabermos o tamanho dessa conta.

Somente com participação efetiva da sociedade e principalmente popular, será possível mudar essa dura realidade, pois um pretenso representante do povo, financiado por uma empreiteira, defenderá o direito do cidadão sem teto ou não pode por estar de “rabo preso” com o mercado imobiliário?

Além de uma profunda reforma política é necessário à moralização da política. 


Antonio Lopes Cordeiro
Pesquisador em Gestão Pública e Social
Laboratório de Gestão e Políticas Públicas - Fundação Perseu Abramo

sexta-feira, 18 de outubro de 2013

Qual sua contribuição para uma nova sociedade?

Imagem: motasusart.blogspot.com

O que vem além das críticas muitas delas apenas reproduzidas?

Quero iniciar essa conversa citando o importante debate que assisti ontem na Fundação Perseu Abramo sobre Classes Sociais, iniciado pela urbanista Ermínia Maricato e concluído pelo Presidente da Fundação, Marcio Pochmann.

Marcio fez uma ampla discussão sobre o Brasil na atualidade, citando os principais aspectos da conjuntura atual e apontando alguns desafios para construção de uma nova sociedade. O que me chamou mais a atenção foi o fato defendido por ele, de que a extrema maioria dos trabalhadores dessa nova classe trabalhadora, que emerge no país, nos governos Lula e Dilma não é sindicalizada e mais: até que ponto os sindicatos lhe representam, a partir do momento que essas instituições passam por determinada crise, que a meu ver é inclusive de identidade ideológica, onde antes de ser de mudança de diretorias é institucional, de modelo e de concepção.

Marcio aborda ainda a perda da hegemonia do Estado de São Paulo, como carro chefe da nação em termos econômicos, a partir principalmente da má administração dos últimos 20 anos e sobre essa nova classe trabalhadora ser composta mais do setor de serviços. Algo novo a ser administrado dentro inclusive da luta de classes.
Falando-se de uma nova sociedade, imagino ser impossível discutir o futuro se não for alimentado por sonhos. São eles os grandes responsáveis por pautar nossas vidas, pois sonhar é viver.

Sou adepto do pensamento de que viemos ao mundo para uma missão. Essas missão para alguns é se dar bem na vida e para outros é dedicar sua vida na construção de uma sociedade melhor. Quem descobre sua missão em tempo, acaba associando-a a um trabalho constante e que não descobre faz de sua vida apenas um passatempo.

O ato de governar também passa por essa leitura. Alguns gestores, que vieram ao mundo a passeio, usam esse importante espaço de poder, ou para usá-lo em benefício próprio ou simplesmente desperdiça a oportunidade de contribuir na preparação e na construção de uma nova história.

Aprendi na minha militância política, que valores podemos mudá-los, que inclusive as mudanças seguem a trajetória das nossas vidas, porém princípios jamais, pois são eles os responsáveis por nossas escolhas presentes e futuras.

Alegro-me a cada gestor que encontro que está focado em usar o espaço que tem para fazer uma pequena revolução, dando sua contribuição na luta contra as desigualdades e construindo espaços participativos visando a inclusão de pessoas que perderam a vontade de sonhar.
Por outro lado me indigno com gestores que adotam um lobista para resolver seus problemas, pois a extensão disso é a venda da alma do povo pobre em troca de recursos para sua reeleição. Um dos caminhos corrupção.

A sociedade precisa se reinventar. Quem sabe se humanizar. Discutir valores, rever conceitos que levam ao preconceito, buscar simplesmente o sentido da vida.  

Como dizia Carlos Matus: o gestor não devia esquecer nunca que seu pode é emprestado pelo povo.


Antonio Lopes Cordeiro
Pesquisador em Gestão Pública e Social
Laboratório de Gestão e Políticas Públicas - Fundação Perseu Abramo

quarta-feira, 16 de outubro de 2013

Professor e Professora: antes de uma profissão um ato de militância por uma vida melhor

Imagem: diferençaediversidade.blogspot.com

Acordei pensando o que escrever num dia tão importante como o de hoje e resolvi fazer uma pequena reflexão, no sentido de evidenciar que se a educação fosse levada a sério, como deveria ser, por uma grande parte dos governantes, poderia sem dúvidas mudar o rumo de milhares de brasileiros e brasileiras, assim como do próprio país.

Quero antes de tudo agradecer de coração a todos os professores e professoras que contribuíram com a minha educação. Nos meus tempos de criança era muito complicado, em plena ditadura militar. Entre outras coisas éramos obrigados a cantar todos os hinos, todos os dias, com a mão no peito e nunca entendi porque, pois se era por respeito à questão era outra.

Como um seguidor da linha de pensamento de Paulo Freire, quero aqui exaltar a figura do educador, que diferente daquele professor, que dá aula por falta de opção profissional, que chama os alunos da rede pública de “bando”, tira um tempinho para ouvir cada um de seus alunos e compreender o cotidiano de suas vidas. Ao fazer isso descobre que há sentimentos e sofrimentos escondidos em cada olhar. Com um gesto como esse o educador simplesmente o acolhe e evita que muitos deles, por ação ou reação, venham a se desviar para o universo da criminalidade futura ou a violência presente.

Lembro-me de um caso recente que me chamou a atenção, ocorrido numa feira de ciências na escola pública estadual que a minha companheira é diretora. Uma aluna loirinha chegou até ela e dizendo: “O que faço diretora, queria tanto comer um pastel, mas não tenho dinheiro? Minha mãe não tem.” E ela respondeu para a menina: “Pronto esse caso está resolvido”, passando a seguir o dinheiro para a menina comprar o pastel. Após isso, eu e a minha filha vimos o tamanho do sorriso e o brilho no seu olhar. Em outro caso na mesma escola, vi no dia de uma gincana, onde os meninos se vestiam de meninas e vive e versa, uma professora de Educação Física, se vestir como homem e entrar na brincadeira, além de muito divertido, foi um momento lindo onde com certeza ganhou o respeito e a confiança de todos aqueles alunos e alunas. Pequenos gestos que ficam.

Principalmente na questão educacional, vemos claramente no Brasil dois mundos completamente diferentes: um que esqueceu a educação, a partir do momento que não investe no professor, em equipamentos, em materiais de apoio e principalmente na qualidade de vida dos alunos, com a falta de políticas integradas que envolva a família. Não estou nem me referindo aos políticos que desviam verbas da educação e até da merenda escolar, onde faltam os alimentos básicos, pois para esses não tem perdão. Estou me referindo ao país neoliberal, que sucateou o ensino, que construiu milhares de universidade particulares, a maior parte delas para os pobres e as públicas para aqueles ou aquelas privilegiados, que estudaram nas melhores escolas e assim passam com mais facilidade. Esse é o país que da desigualdade e da violência.

O outro Brasil caminha para o desenvolvimento social, contra o primeiro é claro, com cotas para os estudantes das escolas públicas e raciais, com construção de Escolas e Universidades públicas, estabelecendo um salário mínimo para os professores, com um Plano Nacional de Educação extremamente avançado e com milhares de novas oportunidades para os jovens, como é o caso do PRONATEC, por exemplo. Esse será o país do futuro se continuar sendo governado com essa perspectiva.

Quantos prefeitos e prefeitas não estão “enrolados”, porque ou usaram mal a verba da educação ou desviaram os recursos? Essas pessoas tem que serem presas.

Se os gestores querem de fato governar colocando a educação como centro das prioridades, parem de fazer de conta e mãos a obra. O que não falta é recurso do Governo Federal, faltam projetos. Todas as ações e projetos da Educação necessitam integração ampla de governo e a participação efetiva dos atores envolvidos (Professores, pais, alunos, funcionários e parceiros).  O que falar das centenas de prefeituras, que sequer fizeram a Conferência Municipal de Educação? Tenho pena das crianças da rede pública dessas prefeituras. Apenas como lembrete, seguem algumas ações que poderão ser criadas, a maioria sem nenhum custo e as que têm custo, quase todas com apoio do Governo Federal:
  • Criação de um Fórum de Educação com todos os setores envolvidos.
  • Criação de um Núcleo de Programas Educacionais.
  • Criação do Plano de Plano de Cargos e Salários para os professores e funcionários da educação.
  • Criação ou adequação de um Plano Municipal de Educação.
  • Modernização das salas de aula e dos equipamentos.
  • Investimento nos professores, capacitando-os para o mundo digital e outras ferramentas.

Ser Educador é promover naquela criança que a autoestima está em baixa, sonhos capazes de se realizar, onde ela consiga enxergar, que apesar das dificuldades, sempre terá uma mão amiga a lhe conduzir.

"Se nossa opção é progressista, se estamos a favor da vida e não da morte, da equidade e não da injustiça, do direito e não do arbítrio, da convivência com o diferente e não de sua negação, não temos outro caminho senão viver plenamente a nossa opção." "O educador se eterniza em cada ser que educa". (Paulo Freire)

Antonio Lopes Cordeiro
Pesquisador em Gestão Pública e Social
Laboratório de Gestão e Políticas Públicas - Fundação Perseu Abramo

domingo, 13 de outubro de 2013

A felicidade pode estar a um passo dos nossos pensamentos


Em pleno dia das crianças resolvi escrever sobre a Felicidade. Uma palavra tão complexa para alguns que vivem em constante desarmonia e tão simples para quem enxerga a vida como um grande presente da divindade eterna.

Lembro-me dos tempos difíceis que vivi quando criança, da minha revolta em alguns momentos e da minha santa mãe vivendo determinadas situações embaraçosas, sem ao menos reclamar da vida. O resultado de tudo isso foi a minha dedicação a uma causa nobre e social, como militante na luta pela melhoria das condições de vida da população mais necessitada.

Felicidade para alguns é ter, quanto mais melhor, não importa como, mesmo que para isso tenha que esquecer que a vida é apenas uma situação temporária. A busca incessante por bens materiais e muitas coisas fúteis, afasta determinados seres humanos do centro da vida que seria descobrir que viemos ao mundo para uma missão e assim, a solidariedade pelo outro ser seria algo natural. Independente das ações e reações que se é obrigado a adotar, em algumas situações pela defesa da própria dignidade, vale a pena viver e descobrir a felicidade em pequenos atos, em pequenos gestos, quem sabe em apenas um sorriso.

Pelo menos para mim, a prosperidade não é acumular dinheiro e bens e riqueza não é só a material, ser próspero é não ter medo de olhar nos olhos de alguém quando fala e saber que de alguma forma está servindo de exemplo positivo na vida de outro ser. Por outro lado, quem só se preocupa em ter, ou nada tem ou o que tem é insuficiente perto de sua ganância. Isso não tem nada a ver com a busca por melhores resultados, a partir do esforço pessoal e reconhecimento. Isso é a continuidade da vida e a resposta da natureza pelo que praticamos.

Acredito que nos dias de hoje, aqui no nosso país, apesar de muitas situações indesejáveis, há uma clima de felicidade no ar, pois cada ser humano que consegue sair de uma situação desfavorável para uma melhor, cada família que consegue melhorar sua qualidade de vida, se sente feliz e mais forte para conquistar a próxima etapa.

Quero assim, com esse pequeno texto, saudar a todas as pessoas que cresceram, não em tamanho nem de idade, mas de sentimento fraterno, de companheirismo e principalmente de noção de solidariedade.

Felizes daqueles que além de suas tarefas cotidianas, oferece parte da sua vida por uma causa, mesmo com a sua partida, sempre serão lembrados como alguém que fez quando podia, mesmo para aqueles que jamais saberão o porquê.

(...) todo amanhã se cria num ontem, através de um hoje (...). Temos de saber o que fomos, para saber o que seremos” (Paulo Freire)

Brindo a todos com a música cantada por Tom, Vinicius e Toquinho: “A Felicidade”.

sexta-feira, 11 de outubro de 2013

O Brasil da última década coloca em cheque mais de 500 anos de história


Considero o livro de Paulo Nogueira Batista “O Consenso de Washington: a visão neoliberal dos problemas latino-americanos” (Leia aqui), como uma verdadeira obra prima, para que possamos entender de forma clara e simples, o que de fato significou aquela reunião ocorrida em novembro de 1989, na capital do Estados Unidos, com funcionários do governo norte-americano, com os organismos financeiros: FMI, Banco Mundial e BID e com economistas de diversos países.

Essa importante reunião denominada O Consenso de Washington, tratava simplesmente da formatação do projeto de implantação do neoliberalismo na América Latina e Caribe.

O livro trás ainda, com detalhes, qual era o papel da mídia, como por exemplo, convencer a população de que tudo que era pública era ruim e tudo que é privado é ótimo, para que pudessem privatizar a vontade, o papel das ONGs e principalmente o papel dos agentes políticos.

No Brasil a grande promessa para essa empreitada era Fernando Collor, porém os agentes neoliberais descobriram no meio do caminho que estavam sendo passado para trás e aí trataram de promover seu impeachment e apostaram todas as fichas em Fernando Henrique Cardoso, que não os decepcionou, vendendo todo patrimônio nacional e deixando o país cada vez mais dependente do FMI e dos EUA, como estava programado. A leitura do livro dará dados e particularidades precisas sob este triste episódio que praticamente quebrou o país.

Estou fazendo essa pequena introdução para dar continuidade ao assunto anterior, mostrando um Brasil dos brasileiros, bem diferente do que a mídia quer mostrar. Vale ressaltar que é exatamente nesse ponto, que os discursos da Marina Silva, Eduardo Campos, Aécio e adjacências, se situam e se opõem ao Brasil dos brasileiros. Esse será grande embate das próximas eleições.

Trago hoje como centro da análise, a excelente pesquisa desenvolvida pela Fundação Perseu Abramo, com o título: “Os intocáveis (I): A queda da pobreza no Brasil do último decênio”.

Segundo a pesquisa: “No decênio que compreendem os anos de 2002 e 2012, a pobreza decaiu 57,4% no Brasil.

Em termos absolutos foram 22,5 milhões de pessoas que deixaram a condição de pobreza, uma vez que passou de 39,3 milhões de brasileiros vivendo com até 140 reais mensais per capita de rendimento domiciliar em 2002 para 16,7 milhões de brasileiros em 2012. Do universo dos 22,5 milhões de brasileiros que abandonaram a pobreza no último decênio, 74% deles pertenciam ao meio urbano, enquanto 26% eram rurais.

Por conta disso, o número de pobres urbanos caiu 63,1% entre 2002 e 2012, enquanto a quantidade de pobres rurais diminuiu 45,8%. No ano de 2012, o Brasil registrou 9,8 milhões de pobres urbanos, enquanto em 2002 eram 26,4 milhões de brasileiros vivendo com até 140 reais per capita de rendimento mensal domiciliar. No mesmo período de tempo, a pobreza rural decaiu de 12,8 milhões para 6,9 milhões de pessoas”.

O ódio que se estabelece no processo da disputa eleitoral, proferido pelos opositores do governo, ao afirmar que seus maiores objetivos estão voltados a exterminar com o PT e com a hegemonia de seus governos, traduz bem a intenção de levar o país, considerado pela maioria do povo brasileiro, que está comendo melhor, estudando em escolas públicas ou privadas com cotas, comprando suas casas e principalmente trabalhando com carteira assinada, ou de volta ao passado ou como eles falam: fazer mais e melhor, só não revelam para quem trabalham e trabalharão. A contar de seus aliados, compostos por banqueiros, grande empresas, grandes latifundiários e madeireiras, dá para se imaginar a verdadeira intensão e quem os financia.

O mais importante é entendermos que contra dados científicos não há espaço para falsos argumentos. Leia a pesquisa na íntegra, clicando aqui.

“O que mais me emociona é transformar a vida das pessoas".

(Presidenta Dilma ao se referir aos mais de 4000 pessoas que concluíram o PRONSTEC - Programa Nacional de acesso ao Ensino Técnico e Emprego.)

quarta-feira, 9 de outubro de 2013

Relatórios comprovam que o país dos brasileiros é bem diferente do país que a imprensa quer mostrar

Imagem: andrenogaroto.com.br

As eleições presidenciais do ano que vem terão como grande debate, dois modelos de gestão bastante antagônicos, tanto do ponto de vista dos resultados, como principalmente do ponto de vista ideológico.

Enquanto o governo do Ex-Presidente Lula e da Presidenta Dilma tratou de criar programas de transferência de renda, ampliar os programas sociais, trabalhar pelo desenvolvimento econômico social e principalmente construir um país soberano, livre das amarras do FMI e da dependência dos Estados Unidos, os governos anteriores, em especial os tucanos, implantaram e consolidaram o neoliberalismo, vendendo praticamente todo patrimônio nacional e o pior ninguém sabe onde o dinheiro foi aplicado, senão vejamos em detalhe os livros "A Privataria Tucana" e o "Príncipe da Privataria.

Enquanto um modelo trabalha com a perspectiva de incluir o maior número de brasileiros e brasileiras novamente na sociedade, o outro pretende reduzir os postos de trabalho, aumentar o desemprego, para que o deus mercado possa novamente reinar, com melhorias apenas para um setor da sociedade.

Os partidos de origem de direita e extrema direita estarão juntos trabalhando para que o país volte às suas origens passadas, ou seja, dominado pela classe econômica e refém do mercado e do FMI.

No sentido de contribuir com a discussão e buscando dados que ajudem aqueles que desejam que esse modelo de gestão continue, fiz uma ampla pesquisa sobre os principais programas nacionais e seus resultados. Dados é que não faltarão para completar os argumentos.

Os componentes do PIG - Partido da Imprensa Golpista, todos os dias tentam buscar elementos que confundam a cabeça da população, principalmente a menos esclarecida e sob análise, como se fosse a verdade absoluta, tentam mostrar que a Presidenta Dilma está perdida e o país cada vez pior perante os investidores, que segundo eles, estão perdendo a confiança no crescimento sustentável do país.

Vários outros temas que não estão abordados nestes relatórios, irei atualizando nos próximos dias. 

Vale a pena perder algum tempo lendo os principais relatórios de diversas matrizes, dizendo exatamente o contrário, ou como afirma o Presidente do IPEA Marcelo Neri: "O Brasil dos brasileiros vai muito melhor que o Brasil dos economistas".

Atenção especial para os Relatórios:

  • Relatório de Avaliação da CGU sobre o Bolsa Familia
  • 10 Anos de Reconstrução Nacional
  • Modo petista de governar é referência para a ONU
  • Desigualdade de renda no Brasil em 2012: a contribuição dos estados da federação 
Boa leitura e tomara que esses dados possam contribuir para convencer o maior numero de pessoas possíveis de que o Brasil de hoje é para todos e não apenas para alguns privilegiados.

Informações sobre o Bolsa Família


11/06/2013 - Nota de Esclarecimento da CGU – Programa Bolsa Família

outubro de 2012 - Relatório de Avaliação da CGU sobre o Bolsa Familia






Síntese do Documento da FAO


Outros Assuntos sobre Evolução do País




Relatório Completo da OIT

24/06/2013 - Relatório 10 Anos de Reconstrução Nacional
http://www.ptnosenado.org.br/images/stories/pdf/modelo_revis%C3%A3o_24_04_13.pdf






12/09/2013 - Austeridade não levou ao crescimento, conclui relatório global da ONU sobre comércio e desenvolvimento

12/09/2013 - Brasil é referência mundial para políticas econômicas sustentáveis, afirma analista da UNCTAD




01/10/2013 – Desigualdade de renda no Brasil em 2012: a contribuição dos estados da federação (Pnad: estados mais ricos, como SP, MG e PR, elevaram desigualdade de renda em 2012)


Informações sobre o I.D.H.M.

Atlas do Desenvolvimento Humano 2013






O Brasil e os Objetivos de Desenvolvimento do Milênio