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segunda-feira, 29 de setembro de 2014

A paixão da militância por uma causa além da vida partidária



Militância e Causa são duas palavras infelizmente totalmente desconhecidas pelo grande público. Tanto o povão, aquele educado pela vida global, principalmente através das novelas ou mesmo grande parte da juventude atual, agem por impulso ou ainda pela pura emoção, com total desconhecimento do processo histórico, político, econômico e social do País.

O que é ter uma causa? Qual sua importância? Você tem uma causa para lutar?

Vamos começar essa conversa afirmando, que no nosso caso que nos consideramos alinhados a construção de uma sociedade justa, fraterna e igual para todas e todas, que uma causa está intimamente ligada à concepção ideológica de quem a representa. Na verdade em regras gerais, uma causa está ligada à manutenção ou ao enfrentamento ao sistema. No primeiro caso podemos ser cúmplices por ação ou omissão e no segundo somos considerados subversivos e sofremos com a cólera dos “coxinhas”, da direita raivosa e principalmente do PIG – Partido da Imprensa Golpista, que tem seis donos e lado que não é o nosso.

A importância de se ter uma causa, vem primeiro da importância de ser ter um projeto da própria vida e segundo do fato desse projeto ser focado para a solução dos problemas econômicos e sociais, onde o ato de servir seja o principal elemento.

Como todos sabem me tornei em agosto último um sexagenário, aprendendo com o passado, analisando e participando do presente de forma ativa e de olhos bem atentos para o futuro, que será o que a maioria formatar. 

Certa vez ouvi numa palestra, que a única coisa que deixamos ao sair dessa vida é uma história de vida. Isso nunca mais me saiu da cabeça e algumas perguntas se tornaram frequentes no meu dia a dia a partir dessa constatação, tais como: Como poderia definir a minha história? Mudaria algo que ocorreu? O que falta para completar? Dá para definir as melhores e as piores ocorrências?

No dia do aniversário, por alguns instantes fiquei pensando como explicar para um(a) jovem que não tem nenhum projeto de vida, o significado de uma data como essa. Meu primeiro ato foi agradecer a Deus pela vida. Agradeci também por tudo que já fiz e principalmente por ter descoberto ao longo desses sessenta anos, o quanto é maravilhoso servir. Servir como um ato espontâneo de puro humanismo, como um valor absoluto e como parte do meu projeto de vida. Ou seja, servir apenas pelo prazer de servir.

O ato de servir é tão forte, que mesmo uma pessoa com atitudes suspeitas contra nós no nosso dia a dia, tremerá na base ao oferecemos ajuda. Provavelmente por um instante ela ficará sem chão, pois jamais imaginará que você à sua frente está lhe oferecendo um ombro amigo ou ainda uma proposta de solução para alguns de seus problemas. Servir e agradecer. Agradecer e servir. Simples assim.

Outra análise ficou por conta da minha vida política e social. Fiquei a pensar que apesar de estar há mais de 30 anos, ou seja, mais da metade da minha vida filiado a um partido, que é amado e odiado na mesma proporção, fui descobrindo aos poucos o quanto é importante ter uma causa que mova nossas vidas. Algo que valha a pena viver. Causa essa, que em sua essência seja muito maior do que o próprio partido onde estamos filiados. Em última análise, faria tudo novamente, apenas com pequenas alterações.

Fico pensando também que a luta pela liberdade e pela igualdade deveria ser o ponto de partida para qualquer manifestação humana, uma vez que a solidariedade deveria ser a maior das ideologias. Que sociedade pode ser reinventada se não tiver o ser humano como centro de todas as ações? 

Infelizmente a maioria da população não tem uma causa para lutar e muito menos para viver. Várias razões intencionais afastaram e afastam essas pessoas do ato de pensar e assim também não conseguem nem sonhar por uma vida melhor, logo não tem um projeto de vida definido. Falta-lhes propósito de vida. Agem simplesmente como na música de Zeca Pagodinho: “Deixa a vida me levar, vida leva eu”. Isso faz das pessoas mais frágeis presas fáceis para os oportunistas de plantão, seja na política, nas religiões ou em qualquer situação onde apenas um fala e os demais tem apenas que balançar a cabeça dizendo sim.

Estamos atravessando um período escasso de lideranças. A principal missão de um líder de verdade é investir em seus liderados para que esses venham a lhe substituir no futuro, sem a menor preocupação de barrá-los ou ainda de se mostrar mais inteligente do que eles. Esse aspecto coloca em xeque a representatividade cega, seja em que espaço for, principalmente num processo eleitoral. Só pode ser considerado um representante de verdade, ou ainda um líder, aquele ou aquela que for escolhido de forma consciente e defensor de um projeto construído a várias mãos.

A extrema maioria dos políticos brasileiros quer o povo bem distante de suas decisões e para isso necessitam que a população odeie a política e os políticos, pois como o voto é obrigatório e apostam na ignorância política, pois saberão que daqui a dois ou mesmo quatro anos, muita água passou por debaixo das pontes e a mídia junto com a propaganda trará tudo novamente como se fossem as águas de um grande rio chamado democracia. Apesar de tudo isso, não deixa de ser bela a festa da democracia nas eleições.

A partir desse contexto confuso se faz necessário ajudar as pessoas mais simples a sonhar e fazê-las acreditar, que mais vale um voto consciente, mesmo que seja num candidato que vai perder, do que votar porque o pastor está mandando ou para não perder seu voto, com aquela velha história de que temos que levar vantagem em tudo. É bom que se entenda que em muitos casos, ganhar é perder e perder é ganhar.

Só será possível caminharmos para uma mudança efetiva na sociedade, quando cada brasileiro e cada brasileira tiver uma causa que faça valer sua própria vida.

Antonio Lopes Cordeiro (Toni)
Pesquisador em Gestão Pública e Social
Coordenador do Programa de Capacitação Continuada em Gestão Pública
Fundação Perseu Abramo
toni.cordeiro@ig.com.br

terça-feira, 23 de setembro de 2014

O que chamam de poder quando se chega a um governo nada mais é do que a manutenção do sistema

Já dizia o velho Marx que num País capitalista o que determina é o econômico. Alguém duvida disso? É só acompanhar atentamente as entrelinhas do poder, que perceberá que o que se movimenta é apenas o grau de inclinação da pirâmide, mais fechada ou mais aberta, porém ela sempre estará lá. A pirâmide é a figura que revela a existência do sistema capitalista.

Ontem quando voltava de viagem de mais um curso de Gestão Pública da Fundação Perseu Abramo no Estado do Pará, vim conversando com um pequeno empresário do ramo de modas, todo feliz, pois acabara de chegar de Milão, onde tinha ido à passeio, além de participar de uma feira do seu segmento.

Foi uma conversa amistosa, pois estava mais para observar do que fazer defesas enfáticas do que acredito, pois nesses casos é como bater em ferro frio.

Ao me perguntar no que trabalhava e eu expor que trabalhava ministrando cursos nas prefeituras administradas pelo Partido dos Trabalhadores, a primeira coisa que me falou é que não gostava de política e que ia votar em branco por não acreditar em ninguém que era candidato, pois todos eram ladrões. Até ai, fiquei pensando, dos males o menor, só faltava ele dizer que ia votar na Marina por defender a autonomia do Banco Central ou ainda em Aécio porque trazia a mordomia da privataria para alguns privilegiados, como era no passado.

Na viagem que fizemos de São Paulo a Campinas, ele começou a se posicionar contra o Programa Bolsa Família, que na sua visão sustenta vagabundos, principalmente pelo fato de brasileiros de baixa renda não gostar de trabalhar, pelo fato de dar o peixe e não ensinar a pescar e ainda que o Bolsa Família sustenta esse povo com o dinheiro público. Para esse argumento ele exemplificou alguns países da Europa, que não dá o peixe e sim ensina a pescar.

Ele defendeu tudo isso, mesmo eu dizendo que não se trata de doação e sim transferência de renda, que o principal objetivo do Programa é que a pessoa venha a devolver o cartão em função da melhoria de vida, pois todos os programas sociais tem início por esse público e que 100% da responsabilidade do gerenciamento do Programa é de responsabilidade dos prefeitos e prefeitas e mesmo que muitos desses usem o Programa como moeda de troca, não dá para generalizar, além de visar à inclusão dessas pessoas novamente na sociedade.

Outra discussão apaixonada que defendeu foi sobre as questões trabalhistas, onde ele expôs ser contra o FGTS, Seguro Desemprego, Salário Família e principalmente INSS. Ele defende que tudo isso poderia ser entregue nas mãos dos trabalhadores e cada um fazer o que bem entender com isso. Dizia ele: Quer se aposentar no futuro? Pague a conta. A única coisa que ele concordou foi de ter um salário mensal e férias. Os demais benefícios e direitos, em sua visão, são invenções do mundo do trabalho que vieram para prejudicar a vida do empresariado.

Outra questão por ele levantada é sobre a carga tributária, onde em sua opinião um Imposto Único seria a solução (o que concordei com ele), assim como que não deveria ter funcionários públicos. Ele defende a ideia de que as prefeituras e os estados deveriam gerar seus próprios recursos e contratar empresas para os serviços. Ou seja, um Brasil privatizado. Esse na verdade é o sonho de pequenos, médios e grandes empresários. Acabar com todos os direitos trabalhistas e de quebra exterminar através da fome, os pobres que atravessarem seus caminhos. Ele até chegou a brincar dizendo que algumas doenças são fabricadas em laboratório, mas que não deixava de ser necessário, pois num futuro próximo não teria mundo para todos. Disse-lhe apenas que para esse tipo de caso, Fidel resolveria com el paredon.

Minha contra argumentação foi a de que é certo que a corrupção é de fato um dos principais males da atualidade, porém, para que a coisa possa ter o mínimo de senso de justiça, tanto corrupto como corruptor tem que sofrer as devidas punições e isso só não ocorre devido aos desvios do próprio sistema. Expus a ele que a sonegação representa na atualidade três vezes mais do que a corrupção, além de informar sobre a Lei Anticorrupção, porém ele me disse que isso só ocorria porque os empresários são obrigados a fazer, tanto devido à pressão que sofrem pelas questões trabalhistas, como também pela enorme carga tributária presente em todos os produtos e atividades.

Vale ressaltar que tais argumentos vieram de um pequeno empresário, que age com os mesmos equívocos da classe média querendo imitar os da classe acima. Fico imaginando o que pensa o grande empresário, aquele mesmo que na ditadura financiava a matança e a tortura de quem enfrentasse o sistema e a ditadura.

É por tudo isso que relatei e por outros fatores presentes na relação entre governantes e governados, ou ainda entre o capital e trabalho, que tenho afirmado nos meus encontros com os gestores das prefeituras, que num País de economia capitalista, não há como ter um Estado fraco, pois caso contrário é o mercado que vai determinar as regras. Quanto mais desemprego mais autonomia do mercado, quanto mais sonegação mais lucro e quanto menos Estado mais ingerência do mercado nas questões do Estado. Isso não quer dizer que a carga tributária seja injusta, porém se isso fosse revertido para a população em termos de qualidade de vida, não haveria um problema maior.

Um exemplo bem interessante vem do tal do terceiro setor, que se instalou no Brasil em decorrência do encurtamento do Estado, em virtude da onda de privatização, ocorrida no governo Collor e FHC. Ou seja, para agir em substituição do Estado em suas funções sociais. Além disso, tinha outro propósito, substituir o militante pelo voluntário, que apenas segue as normas das ONGs sem nenhum questionamento. Alguns desses fazem todo tipo de maldade durante a semana e nos finais fazem benevolência, como uma catarse em suas vidas.

Um dos grandes problemas que vivemos no setor público é que inúmeros governantes se apoderam dos recursos, ou em benefício pessoal ou ainda para seu “caixa dois”, visando sua reeleição ou sua sucessão, através de indicado seu.

Numa de suas palestras, Mário Sergio Cortela afirma: “Todo poder que ao invés de servir se serve é um poder que não serve”.

Há um enorme equívoco em achar que chegar a um governo se chega ao poder e mais ainda que quando se chega aos governos, se repete, em nome da desculpa de que a população não quer participar do processo, todos os vícios que a velha política paternalista sempre fez.

Na minha visão não há desculpas, assim como não há perdão para esses desvios. Quem usa a máquina pública para seu bel prazer, teria que ser exemplarmente punido, seja de que partido for. Porém o que se ver é a impunidade ou a parcialidade da justiça, o que faz com que a impunidade reine tranquilamente do País.


A única coisa que o pessoal que pensa assim não consegue entender é que o poder é emprestado pelo povo.


Antonio Lopes Cordeiro (Toni)
Pesquisador em Gestão Pública e Social
Coordenador do Programa de Capacitação Continuada em Gestão Pública
Fundação Perseu Abramo
toni.cordeiro@ig.com.br

quarta-feira, 17 de setembro de 2014

O papel do Estado num País capitalista e o ódio contra os defensores das Políticas Sociais



Quero iniciar essa conversa afirmando que do ponto de vista das relações humanas, o ódio representa o sentimento mais negativo que o ser humano possa experimentar, pois em sua essência ele representa exatamente a ausência de amor, em qualquer situação.

Existe um embrutecimento na sociedade, alimentada diariamente pelos meios de comunicação pertencentes a apenas seis famílias abastadas, assim como pelos fundamentalistas encabeçados por Malafaia e pelo deputado homofóbico Feliciano. Uma violência sem igual que invade o País, com a cumplicidade de inúmeras autoridades dos estados e municípios, principalmente pela falta de políticas públicas inclusivas e omissão com os problemas sociais. Isso é que se pode chamar de ausência do Estado, como provedor do Bem Estar Social.

Você já se perguntou por que isso acontece? Qual é o enredo principal da disputa eleitoral do momento? Por que os neoconservadores estão todos juntos contra a candidata Dilma? Você já se perguntou o que você tem a ver com isso?

Vou me arriscar a fazer uma analogia, comparando a violência econômica, política e social com o pecado. Enquanto a maioria das pessoas acha que pecado é o que se convenciona em muitos templos, defendo que pecado mesmo é o indivíduo ou indivídua achar que podem fazer todo tipo de maldade, como homofobia, racismo, discriminação de toda ordem, corrupção ou ainda fazer o que bem entender em nome da população, principalmente porque a maioria não sabe ou não consegue reagir. É bom lembrar que depois das maldadas eles voltam aos templos e em suas cabeças com as maldades zeradas e, portanto, prontas para as próximas.

Ao invés de políticas públicas que resolvam os problemas centrais da população, esses políticos omissos oferecem benevolência e assistencialismo e nesse ponto entra um sério equívoco político praticado em muitos municípios. Ao invés de se priorizar e fortalecer o Conselho Municipal de Promoção Social, que a principal função é a inclusão das pessoas e a promoção delas, com base no SUAS, prioriza-se o Fundo de Assistência, para que as primeiras damas façam benevolência e possam aparecer.

Ao fazer uma breve análise, nos deparamos com algumas perguntas difíceis de respostas precisas: Porque será que é tão fácil criar um novo partido ou ainda uma nova igreja, tudo isso em nome da democracia e da liberdade de expressão? Uma das hipóteses tem como base a falta de conhecimento da população do que esteja sendo negociado em seu nome, gerada a partir da desastrosa convenção de que política, religião e futebol não se discutem. 

No caso da política, essa falta de discussão está embasada em outra convecção de que, basta votar em alguém que esse alguém lhe representará em todas as situações, inclusive de seus projetos futuros. Uma espécie de dom desenvolvido no processo eleitoral, onde os mais sabidos e os mais afortunados com campanhas milionárias, passam a herdar após a vitória. Algo como uma procuração assinada e em branco. Na prática querem o povo bem longe, pois desfrutam de privilégios exclusivos e em troca vão fazendo negociatas para a reeleição e sucessão e pequenas ações assistencialistas que em muitos casos, enchem os olhos da população. Algo como um belo saquinho de algodão doce.

No caso das igrejas o caso é até mais sério, pois em nome do pecado e combate ao mal, todos os males podem ser cultuados, como por exemplo, a homofobia, o racismo, o machismo e o combate aos problemas sociais, com o argumento de serem gastos do Estado, na medida em que se sataniza as pessoas, sejam em que cargo for que se envolverem com as causas sociais. Não pode ser esquecido de que uma grande parte dessas igrejas é mantida e impulsionada pelo dinheiro para seus líderes ou para a própria instituição. Nada tem a ver com fé, assim como com a recuperação de seus próprios fieis. O dedo em riste de Malafaia é um chamado para a violência, ou ainda a lei que o Feliciano queria aprovar. Uma verdadeira provocação à cidadania. Uma afronta ao Estado de Direito, ou ainda com um Estado que deveria ser laico como está na Constituição.

No caso da igreja católica no Brasil essa violência é mais velada e fica por conta, principalmente das entidades de extrema direita, como a TFP (Tradição, Família e Propriedade) e a Opus Dei, da qual o candidato Alckmim faz parte. A primeira defende o direito à propriedade privada, entre outras coisas, numa guerra contra o MST e contra a Reforma Agrária, num país que até 1850 ninguém possuía um palmo de terra, era tudo do Estado e hoje 99% da terra está nas mãos de 1% da população e 99% não tem terra. Já a Opus Dei é muito mais complicado, pois segundo a Revista Super Interessante, usa entre outras coisas, a autotortura como flagelo para cura dos pecados, ou ainda passar por um ritual chamado de “Sinceridade Selvagem”. Uma coisa muito louca. Resta perguntar se o Alckmim também pratica isso. Tenho certeza que não. Além disso, os padres e os bispos ligados à Teologia da Libertação, que o Papa Francisco teve a sua origem, pois representam a igreja povo e não a igreja templo são perseguidos até hoje, inclusive o Papa, onde os neoconservadores dos Estados Unidos e de tantos outros países não admitem um Papa popular e defensor de uma causa.

O mais sinistro é que tudo isso se passa nos bastidores do poder e o povão não fica nem sabendo. Os meios de comunicação se encarregam de esconder o que lhe interessa e revelar, mesmo que seja uma hipótese, o que interessa a ela e a seus candidatos. Atuando como um ritual onde, em tese se defende o bem e o mal é quem se posicionar contra o deus mercado e seus seguidores. 

A coisa funciona como uma lavagem cerebral. Uma fé cega. Malafaia grita e todos obedecem e o resultado disso é transformado em várias mortes homofóbicas pelo País.

Num momento eleitoral como o que estamos passando, se faz necessários olhos bem atentos e ouvidos afiados para saber diferenciar o que está sendo oferecido. A eleição termina ainda em outubro, porém o povo fica com uma pessoa eleita, que por quatro anos, sem que se perceba, intervirá no futuro de cada brasileiro e brasileira.

No meu entendimento, a proposta de Dilma tem como principais diferenciais duas questões importantes aos demais candidatos, além de inúmeras outras em prática e como propostas. Não se trata de uma revolução para um País socialista, pois isso tá muito longe de acontecer, principalmente pelo papel de quarto poder da velha mídia que confunde a cabeça da população e o poderio econômico, mas em primeiro a defesa de forma clara de um Estado de Bem Estar Social, num país com a estrutura econômica essencialmente capitalista e responsável por todas as desigualdades e segundo e por mim avaliada como a mais importante, a criação da Política Nacional de Participação Social, que poderá ser um grande instrumento para envolver a população na política, sem contar o exercício dos direitos constitucionais de Participação e de Controle Social. União, Estados e Municípios, possibilitando que a população decida seu destino. 

Os dois candidatos que disputam com ela a eleição, tem como principal fator a desconstrução das políticas sociais e a entrega do País para as forças econômicas nacionais e internacionais, que na prática seria a implantação e consolidação do Estado Mínimo, que é a tese que sustenta o neoliberalismo. Quanto menos Estado mais mercado e assim tudo se resume na subserviência ao econômico, exatamente como era antes de Lula e Dilma, onde os Presidentes não fariam nada sem consultar o FMI e os Estados Unidos.

Minha esperança é que os milhares de pessoas que foram beneficiadas pelas Políticas Sociais desenvolvidas por Lula e Dilma, ao caminharem às urnas em cinco de outubro, mesmo que seus líderes religiosos tenham dito que votar em Dilma é uma coisa do demônio e votar em Marina e Aécio é coisa de Deus, lembre-se que eles querem sua fé cega, mas jamais pagarão suas contas ou ainda prezarão pelo bem estar de suas famílias. 

Nem um passo atrás e muito menos um mergulho num futuro de pura aventura.

Encontramo-nos nas ruas até o dia e nas urnas no dia da eleição.

Antonio Lopes Cordeiro (Toni)
Pesquisador em Gestão Pública e Social
Coordenador do Programa de Capacitação Continuada em Gestão Pública
Fundação Perseu Abramo
toni.cordeiro@ig.com.br

quarta-feira, 10 de setembro de 2014

Os códigos do poder precisam ser revelados para que a população possa saber onde pisa



Tenho comentado nas aulas de Gestão Pública que ministro pela Fundação Perseu Abramo, que o poder tem códigos e que a maioria dos políticos não quer que a população os decifrem. Que códigos são esses? Porque os políticos de carreira não querem revelar os segredos? Onde estão guardados estes segredos? 

Para começar a tentar responder essas perguntas, se faz necessária uma viagem no tempo em busca de respostas para a frase: “Política não se discute”. Uma mentira que repetida por anos virou verdade na cabeça de muita gente. Porque não se discute? O que querem com essa afirmação? Qual o medo em se discutir?

Imaginamos que essa esdruxula afirmação seja o centro de codificação do poder no Brasil e também pode ser a porta de entrada para se desvendar o mistério. Nega-se a participação, através da negação da discussão e isso confunde de tal forma, que o melhor para muita gente é nem entrar na discussão, pois em regras gerais, só discute o que se tem conhecimento. Ninguém se arrisca em entrar numa discussão sem saber absolutamente nada do assunto principal.

A intenção é a seguinte: Fazer o povo pensar, que um assunto tão complexo na visão popular como é a política, só pode ser discutido e aplicado, por profissionais ou iluminados, que nasceram para serem políticos de carreira, assim como também nasceram para adivinhar o que o povo necessita como se fosse um dom divino e que de divino não existe nada.

Além disso, vale se perguntar, o porquê da omissão de se aprender política nas escolas. Imaginamos também que deva ser pelo mesmo motivo. Criar seres que pensam desde cedo se transforma num grande risco para quem quer se perpetuar na política. Com certeza iriam ter grandes concorrentes.

Vale ressaltar, que na época sombria dos militares, trocaram o livro OSPB (Organização Social e Política Brasileira) pelo livro de EMC (Educação Moral e Cívica). Uma troca que distanciava a discussão crítica, principalmente sobre a época e cultuava o medo como elemento principal de desmotivação. Matavam lá fora em nome da ordem e tentavam fazer lavagem cerebral nas crianças nas salas de aula. O mesmo procedimento ocorreu com o Método Paulo Freire de Alfabetização, que foi abruptamente substituído pelo ridículo Mobral.

Essa situação de negação da boa política, vem se agravando ao longo do tempo. Os partidos que nasceram com uma visão de esquerda, muitos deles se venderam ao sistema, como é o caso nos dias de hoje do PSB (Partido Socialista Brasileiro), que de socialista só sobrou o nome e tem uma candidata que remete seu Plano de Governo, ao que tem de mais atrasado e podre na política brasileira, ou ainda centra seu principal projeto na volta ao neoliberalismo, através de parceiros neo-intelectuais, como é o caso de André Lara Resende, que foi o mentor intelectual, entre outros casos, do confisco da poupança no governo Collor de Mello.

Porém, o pior cenário fica por conta da velha mídia, aquela mesma que pertence a apenas seis famílias abastadas. O PIG – Partido da Imprensa Golpista, como é conhecida, lutou e luta bravamente para desconstruir todos os avanços que Lula e Dilma construíram e continuam lutando, agora para eleger, tanto faz Aécio como Marina, pois ambos defendem os interesses de seus proprietários e colaboradores. Na verdade o PIG se comporta como o quarto poder e caso não se tomem os cuidados necessários, tomará de assalto o país na calada da noite.

Essa postura da velha mídia ampliou e amplia significativamente as possibilidades de eleição dos políticos de carreira, que querem a população distante das decisões e com o principal argumento de que se todos roubam não há o que se fazer, portanto, vota-se em qualquer um para se justificar o ato de votar. Esse é um dos fatos que fortalece o desinteresse da população com relação à política e os políticos e abre espaços para os oportunistas de plantão, como os Tiriricas da vida.

Os códigos do poder estão escritos em línguas que só um pequeno grupo entende e longe da compreensão popular. É essa a principal razão que faz com que a maioria dos políticos eleitos, além da Presidência da República, hoje comandada por alguém que defende a participação social, esconda informações preciosas pelo simples fato de buscarem a permanência em seus cargos, com a visão de terem nascido para Salvadores da Pátria. O importante é entender o seguinte: com essa forma de conduzir a política, não há necessidade de preocupação por parte da população em discuti-la, pois sempre haverá um político de carreira para fazer o que tem que ser feito em nome do povo. 

O processo é tão louco, que enquanto eles atuam em nome da população, essa por sua vez tem mais tempo para passear no universo de sua existência.

Conheço muita gente que veio ao mundo a passeio, como dizia Carlito Maia, em detrimento de tantas outras que vieram ao mundo a trabalho. Para quem veio ao mundo a passeio a vida simplesmente passa e para quem veio ao mundo a trabalho, cada minuto da vida é aproveitado como se fosse o último.

Não sei como você se enxerga. Como membro do primeiro grupo ou do segundo? Qual a importância disso, se mal temos controle do próximo passo, mas jamais do nosso futuro? O que dizer então das pessoas que vivem da vida dos outros? Imagino que para essas a vida já acabou só elas que não descobriram. 

Seja qual for o grupo que você faça parte, saiba apenas que se você não disser claramente o que pensa, ou ainda das suas reais necessidades, alguém muito mal intencionado lhe venderá como “garrafinha” e ainda usará o dinheiro em benefício próprio.

Se eu fosse você matava isso no ninho e simplesmente exigia seu direito de participar da política, que pode muito nem começar na entidade do seu bairro e a partir disso nunca mais ninguém ia pensar ou agir em seu nome.

Antonio Lopes Cordeiro (Toni)
Pesquisador em Gestão Pública e Social
Coordenador do Programa de Capacitação Continuada em Gestão Pública

Fundação Perseu Abramo
toni.cordeiro@ig.com.br