Mensagem

Faça seu comentário no link abaixo da matéria publicada.

sábado, 25 de julho de 2015

Quanto vale a dignidade humana?

Segundo Sarlet (2011), as primeiras referências acerca da dignidade na história da humanidade se encontram na Bíblia Sagrada, em seu Antigo e Novo Testamento, ao mencionar que o homem foi feito a imagem e semelhança de Deus, ligando a figura do homem a uma divindade suprema dotada de reverência e valor.
Segundo o dicionário Houaiss e Villar (2004), dignidade significa consciência do próprio valor; honra; modo de proceder que inspira respeito; distinção; amor próprio. Ou seja, dignidade aparece como a última fronteira que divide as pessoas sérias das que vendem a própria alma se necessário for, apenas para realizar seus projetos e anseios pessoais.
Para completar o conceito, Nobre Júnior (2000), define dignidade como sendo a possibilidade de conferir-se a um ente, humano ou moral, a aptidão de adquirir direitos e contrair obrigações.
O cenário nacional que vivemos hoje nos remete a uma ampla reflexão sobre a dignidade humana, principalmente no que se refere sobre o jogo do poder, onde a dignidade das pessoas mais frágeis da sociedade em termos econômicos e sociais, como também os excluídos dos valores elitistas é ferida todos os dias.
A partir desse cenário fico me perguntando se um dia retornaremos a ser aquele país, onde se vendia a ideia de que a paz e a harmonia eram as senhas para seus visitantes, como também se tratava de uma terra hospitaleira e um povo cordial.
Será possível medir o tamanho do estrago produzido pela direita e adjacências, que se organizam em termos mundiais para ocupar os espaços deixados pela esquerda, de seu centro à sua extrema? Será que a juventude que não está na bandalheira encontrará uma utopia para lutar, que dê sentido a suas vidas?
O que mais preocupa na atualidade, não é nem mesmo o processo de alienação elaborado de forma científica por quem quer dar um golpe da democracia e sim o ódio que passou a ser um valor disseminado para afastar quem a direita e a elite não quer ver, dividir espaços e muito menos conviver.
Um dia o ódio aos judeus levou as tropas de Hitler a assassinar cerca de seis milhões deles, com um forte argumento de que era uma raça impura e, portanto tinha que ser dizimada da face da terra. Tratou-se na verdade de um genocídio em massa e de origem étnica em busca de uma raça pura, a partir da mente doentia de uma falsa liderança, como alguns que existem na atualidade.
Em termos reais, que diferença tem esse triste episódio da história mundial com o que ocorre hoje com a elite branca brasileira, que prega o extermínio de negros, homo afetivos, nordestinos e principalmente os pobres? Talvez a diferença seja porque ainda não conseguiram realizar seus sonhos, porém do ponto de vista humanitário não há a menor diferença. A motivação do ódio é a mesma e para isso não medirão esforços para afastar de seus meios quem pensa de forma diferente, como a turma de Hitler também não mediu.
Há evidências de que assim como a recente pesquisa Vox Populi chegou à conclusão que o número de quem odeia o PT é de apenas doze por cento, contra oitenta e oito por cento que não odeiam e a mídia tenta generalizar, o número de pessoas de má índole e que prega um verdadeiro genocídio contra quem seus valores não combinam, também é muito baixo. É que em tempos de politicalha a dignidade tende há custar muito pouco.
Partindo do sentimento de que existe uma crise generalizada de identidade no seio da sociedade, alicerçada por valores que ferem a dignidade humana, se faz necessário urgente uma revolução conceitual. Um realinhamento dos sonhos. A busca de uma nova utopia que una grande parte da humanidade.
É preciso definir o que se quer do ato de governar e legislar, pois se governar e legislar são fins em si mesmos, isso quer dizer que são apenas projetos pessoais, porém se governar e legislar são meios para as mudanças efetivas na sociedade, isso implica em transformar esses momentos ou espaços numa militância constante em busca da realização da grande causa, que é transformar essa sociedade atual, numa sociedade justa, fraterna e igual para todos e todas.
É necessário antes de tudo ajudar as pessoas a voltarem a sonhar, assim como ajuda-las também a encontrem uma causa para viver, que faça valer suas próprias vidas. O sonho como algo possível, a partir de esforços individuais e coletivos e não como fantasias, que se perdem nas entrelinhas da vida. Melhorar a qualidade de vida das pessoas, principalmente através da solidariedade, que se transforma assim na maior das ideologias.
Pobres daqueles e daquelas que não sabem onde querem chegar e não conseguem entender que sozinhos e sozinhas nada são e comandados pelo Partido da Imprensa Golpista e pela elite da Casa Grande jamais serão.
Bem Vindos e Bem Vindas todos aqueles e aquelas que têm como missão a defesa e a luta intransigente contra todas as formas de discriminação e desigualdades.
Estamos juntos!

Antonio Lopes Cordeiro (Toni)
Pesquisador em Gestão Pública e Social
toni.cordeiro@ig.com.br