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domingo, 5 de junho de 2016

A importância da escolha de uma candidatura própria

Estamos diante de um processo eleitoral para prefeitos(as) e vereador(as) complicado, pois estamos em pleno golpe político e o pior, tramado e articulado pela extrema direita junto com os chamados “aliados” do Partido dos Trabalhadores. Os “amigos bons de votos”. Diante disso uma pergunta necessária: o PT deve lançar candidaturas próprias mesmo com grande possibilidade de perder em várias localidades, ou se aliar a alguém, em muitos casos a reboque de uma candidatura, apenas para mostrar que está vivo, ou ainda em troca de alguns cargos?

Imagino se tratar de uma resposta complexa que requer antes de tudo atitudes, visto que o PT no momento se encontra na berlinda de um processo golpista, que simplesmente anseia e trabalha pelo seu fim. Só isso já reforçaria a ideia de que o PT tem que ocupar todos os espaços possíveis em causa própria e se aliar apenas aos partidos que não compactuaram com o golpe, estabelecer regras, a partir de suas resoluções de quem serão seus candidatos, além de participar das alianças políticas sendo protagonista e não apenas pela composição e participação, como se fosse de favor.

Como filiado defendo a ideia de que o Partido restabeleça, potencialize e aposte cada vez mais na formação política, com todas as correntes participando, pois só o conhecimento livrará a base partidária de ser tratada por alguns como “garrafinhas” e ser chamada apenas para votar. Para os veteranos da vida política como eu, a luta por uma causa acaba se transformando em nosso projeto de vida e os interesses pessoais acabam dando espaço para toda ação e reação que tenha à frente a melhoria da qualidade de vida de milhares de pessoas excluídas da sociedade e para isso a formação política é fundamental. 

Nessa caminhada, o Partido dos Trabalhadores foi e ainda é para uma grande parte de sonhadores e sonhadoras, o ponto de encontro da diversidade, a interação com a causa e o amadurecimento para uma ruptura política definitiva com a sociedade de desiguais, rumo à construção de uma sociedade justa, fraterna e igual para todos e todas. Quem pensa dessa forma jamais aceitará a ideia do Partido ter um pensamento único, ou seja, apenas uma linha de pensamento. É a pluralidade que o alimenta. A disputa de ideias e a pluralidade das linhas ideológicas, através das diversas correntes é o que garante que de fato o PT seja um partido e não um Inteiro, como é comum em quase todos os partidos.

Outro fator a ser observado e um dos grandes equívocos de muitos dirigentes de alguns partidos do campo da esquerda e porque não dizer também de parte da militância política, foi o de se enveredarem pelo “canto da sereia”, de que o PT e seus aliados, ao chegarem à Presidência da República, tinham também chegado ao poder e não apenas aos governos. Esqueceram talvez de que, como bem afirmava Karl Marx, num país capitalista quem determina é e sempre será o econômico. Quem duvida disso é só analisar o fundamento político e ideológico do golpe em curso e a quem o golpe serve.

Vale lembrar que o Capitalismo é um sistema econômico em que os meios de produção e distribuição são de propriedade privada e com fins lucrativos e não públicos. Todos e todas que lhe afrontarem terão como resposta, ou a repressão ou um esquema golpista como vivemos na atualidade.

É importante ressaltar também que o golpe político em curso não foi articulado nesse momento e sim estrategicamente elaborado há anos. A direita política com toda liberdade de ação trabalhou nas entranhas do poder e preparou um desmonte do projeto político e social defendido pelo Partido dos Trabalhadores, não via Forças Armadas e sim a partir do próprio Congresso Nacional e do Senado. Trata-se de um golpe moderno, à luz da Constituição e com o apoio da bandalheira eleita.

Qual o maior desafio do momento? Não permitir que a direita organizada com todos seus instrumentos, caminhe firme rumo ao pedido e consolidação de cassação de registro do Partido dos Trabalhadores e criminalize, junto com os movimentos sociais, qualquer ação que envolva a militância política do país.

Não se trata apenas de uma preocupação, mas de um fato que está sendo trabalhado no âmbito da Lava Jato, que tem como premissa principal derrubar Dilma, prender Lula e cassar o registro do PT. Esse é o campo de luta que envolve toda militância.

Os primeiros passos já foram dados e os demais estão em curso, que envolve entre outras ações, o encurtamento do Partido com alguns e algumas saindo dele para não serem chamados de petralhas, a caminho da sedução das carreiras-solos e de seus projetos pessoais, assim como uma drástica redução do número de prefeitos (as) e vereadores (as) nas próximas eleições. Outra tática da direita e da justiça partidária é a perseguição a lideranças chaves, como por exemplo, a condenação a José Dirceu e a prisão de outros nomes graúdos. Uma verdadeira devassa partidária.

A partir desse cenário, se fazem necessárias a defesa intransigente da vida partidária e a defesa clara e cristalina do projeto que os militantes defendem.

Não há nada mais importante nesse momento, do que o Partido mostrar sua cara, defendendo o projeto escrito a várias mãos e lançar candidaturas próprias em todas as localidades possíveis, com o firme propósito, não apenas de ocupar uma cadeira, seja no executivo ou no legislativo, mas de continuar e resgatar as bandeiras históricas que fizeram com que a população brasileira votasse por quatro vezes em Lula e Dilma, assim como voltar às ruas na defesa das principais lutas onde o povo ainda excluído estiver presente.

Algumas razões para a defesa de uma candidatura própria:
  1. A possibilidade concreta de trazer para o âmbito do processo eleitoral a possibilidade de defesa da vida partidária, assim como a visão de que o Partido não está morto, como pretende a direita e a imprensa golpista e sim mostrar que não só ele está vivo, como pretende ampliar o escopo do projeto formatado até o momento de forma participativa.
  2. A possibilidade de ampliação do debate com a sociedade de que o partido continua na defesa da parcela ainda excluída da sociedade, junto com os atores envolvidos, assim como na defesa intransigente de tudo que foi conquistado pelos trabalhadores e por grande parte da população.
  3. A possibilidade de mostrar que o Partido dos Trabalhadores e sua história são muito maiores do que as crises que o cercam, ou ainda dos desvios de algumas pessoas que usaram a legenda em benefício próprio e terão que pagar por isso.
  4. A possibilidade de usar o ambiente eleitoral para formatar e cumprir junto com a sociedade um Plano de Governo dinâmico e participativo.
  5. A possibilidade concreta do Partido não se comportar como figurante, sendo levado a reboque de nenhuma candidatura, apenas e tão somente por participar e sim trabalhar a ideia do partido ser protagonista de sua história e de suas experiências concretas.
  6. A possibilidade de envolver a militância ativa ou quem se encontra afastado por vários motivos, na defesa de propostas próprias e compromissos de participação efetiva, seja nos Conselhos de Mandatos de vereadores ou ainda nos Fóruns Municipais a serem criados.
  7. A possibilidade de motivar filiados, filiadas e simpatizantes nos Cursos oferecidos pela Fundação Perseu Abramo, como por exemplo, o Curso Difusão do Conhecimento, que discute entre outros conteúdos a função da militância no processo de formulação das Políticas Públicas.
Essas e outras razões, expressas nas Resoluções Partidária, nos afirmam que defender uma candidatura própria, num momento tão difícil como o Partido dos Trabalhadores passa, além de ser uma obrigação, se constitui num compromisso público de continuidade das lutas concretas e da visão de que em muitas ocasiões ganhar é perder e perder é ganhar.

Como militante de uma causa, prefiro me enveredar pelos caminhos da luta, mesmo que seja recheado de contratempos, do que servir ao nada apenas para satisfazer minhas vaidades.
Antonio Lopes Cordeiro
Pesquisador em Gestão Pública e Social
tonicordeiro1608@gmail.com

3 comentários:

  1. A possibilidade concreta de trazer para o âmbito do processo eleitoral a possibilidade de defesa da vida partidária, assim como a visão de que o Partido não está morto, como pretende a direita e a imprensa golpista e sim mostrar que não só ele está vivo, como pretende ampliar o escopo do projeto formatado até o momento de forma participativa...

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  2. O momento não esta bom para o PT lançar candidatura propria em Americana, temos que unir as forças progressitas da cidade e sair unidos com possibilidade de exito e se sairmos sozinhos e isolados estaremos fadados ao fracasso, Podemos fazer a defesa das conquistas que o PT propiciou ao povo brasileiro nesta frente de esquerda e batalhar o fora Temer.

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  3. Bruno Francisco Pereira26 junho, 2016

    Vivemos um momento importante da história do PT, em que a defesa de suas bandeiras históricas passa fundamentalmente por candidaturas capazes de mostrar um outro partido, não aquele que é mostrado pelo PIG e que a população no geral acaba consumindo, neste sentido não tenho dúvida que este papel passa pela candidatura própria de companheiros e companheiras capazes de dialogar com a população em outro patamar e que cumprindo um papel institucional importante faça de forma coerente a defesa do modo petista de governar priorizando sempre a população mais necessitada.
    Em Americana este processo está colocado, aqui só a candidatura própria é capaz de realizar o princípio básico do Partido dos Trabalhadores que é a defesa intransigente da Classe Trabalhadora. No cenário local de caos das contas publicas provocadas pela politica neoliberal tucana, que durante seis anos destruiu o patrimônio publico municipal, tendo como apoio o PCdoB que ficou até a queda final do Prefeito Tucano Diego Denadai e com uma ampla maioria de partidos que deram sustentação ao caos aqui provocado. Isolado na Câmara Municipal o PT e o PDT ( não este que esta aí) foram vozes de denúncia a tudo que acontecia na cidade. Neste período eleitoral o PDT foi tomado de assalto por um grupo até então aliado aos tucanos dos Macrises, que vieram para o PDT expulsaram a executiva municipal, destituíram de forma ditatorial o Presidente do PDT e trouxeram um figura comissionada na CDHU para ser prefeito e se intitularam frente Progressista, PDT e PCdoB ex-tucanos na cidade não tem nada a haver com o PCdoB e PDT nacionais que deram formidável contribuição ao País na sua defesa contra o golpe da elite brasileiras em curso neste país. PDT e PCdoB local é tão golpista quanto Temer, Renan e Cunha, é tão golpista quanto Gilmar Mendes e cuja Corja no STF, se quisermos desaparecer vamos junto com eles, mas se quisermos fazer frente aquilo que acreditamos só tem uma opção Candidatura Própria.

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