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segunda-feira, 22 de maio de 2017

O povo decide. Diretas Já!


Chamada: Militantes da Frente Brasil Popular e Povo Sem Medo constroem uma análise no campo sociojurídico para contribuir com o entendimento que todo poder emana do povo, principio constitucional que garante a participação e as diretas já. Para isso é necessário a presença nas ruas no dia 24 de Abril e contribuição dos movimentos sociais nas frentes de luta pela Democracia.

Por: Clara Maragna e Leonardo Koury

Primeiro a gente tira a Dilma, rasga a Constituição Federal, fortalece o Estado policial, e nos resta saber: Quem controla o judiciário?

Entender o processo político que o Brasil vem sofrendo, é uma tarefa árdua e emblemática para todos nós. Mas de certo, é notório que a surpresa tornou-se um elemento central desse arranjo golpista, que tem como pano de fundo a ação do Poder Judiciário.

Traições, malas, chips invisíveis, Família Neves, Lava Jato, Temer, retirada de direitos, capas de revistas, prisões decretadas, almoços, judiciário desequilibrado e a ampulheta do tempo correndo contra o povo brasileiro.

Em meio a tanta fumaça sentenciada, é importante perceber que os atores do golpe não possuem cadeira cativa no Congresso Nacional, e tão pouco se resumem aos aliados de Temer.

Se assim, o fosse, a rejeição de Temer não seria exorbitante, e não estaríamos aqui falando desse novo capítulo, que além da cassação do Presidente golpista trará  também uma corrida de atores pela linha sucessória da Presidência da República .

Quem opera o golpe não deseja que ele acabe, mas que ele se estruture e naturalize de modo a dificultar qualquer reação do povo brasileiro, afinal de contas a história nos ensinou que toda expansão de regimes totalitários sempre esteve relacionada aos problemas econômicos e sociais de um Estado imerso em ações ilegais sob os olhos do judiciário.

A sensação de que ha um distúrbio social é inerente ao processo vivenciado por todas e todos nós, especialmente porque essa anomalia se inicia através de uma ação contra os nossos direitos garantidos num Diploma Legal violado.

Com a previsão da saída de Temer, o golpe toma novos contornos, a Constituição Federal começa a ser avocada através das eleições indiretas por setores golpistas, de modo a legitimar o processo realizado por Michel Temer.

Porque não devemos aceitar as eleições indiretas?

Podemos começar a falar que não devemos aceitar eleições diretas porque não queremos a continuidade dessa orquestra golpista. Além disso, esse desejo por eleições indiretas não passa pela polarização entre coxinhas e não coxinhas, ou pelos projetos de poder ideológicos de esquerda ou direita, mas por uma estruturação antidemocrática que será corroborada por interesses privados.

Não é legítimo avocar normal legal de uma Constituição violada, posterior a retirada do Estado Democrático de Direito, para consolidar uma violação nacional.

Defender eleições indiretas é legitimar o golpe na medida em os atos anteriores à sucessão presidencial produzirão efeitos concretos. A estrutura de poder é determinada pelo conteúdo da sua ação, e de fato os interesses da maior rede de televisão se resumem em apropriar-se do processo mais do que a população que constrói esse país.

É preciso entender que a ordem de um Estado Democrático destina-se a assegurar o exercício dos direitos sociais e individuais, a liberdade, a segurança, o bem-estar, o desenvolvimento, a igualdade e a justiça como valores supremos de uma sociedade fraterna e pluralista.

Exigir o cumprimento desses princípios que regem a Constituição Federal, é construir uma disputa justa, e a possibilidade da escolha de representatividade pelos cidadãos e cidadãs brasileiras.

Estamos diante de um capítulo que nos aparece sob a corda bamba à beira de um abismo, recheado de fatos que nos dá elementos suficientes para lutarmos pela Democracia brasileira. Não é apenas a conexão de uma nova fase da conjuntura, mas uma etapa da tática que a elite brasileira avança no objetivo central que é a volta do liberalismo e o estado mínimo.

Leonardo Koury Martins, [21.05.17 14:32]

Talvez a pergunta inicial, sobre quem controla o judiciário, aqui, toma outra percepção, a de que é preciso estar nas ruas, em todos os tipos de ações diretas, para tentarmos nesse último respiro, restabelecer um mínimo de razão com as eleições diretas. Estas não podem ser entendidas como apenas a volta de um governante eleito por voto popular, mas a concretude de que todo poder emana do povo, afinal está no parágrafo único do primeiro artigo da Carta Magna de 88.

É preciso estar atentos, fortes, e nas ruas, afinal o poder emana do povo, o povo decide. Diretas Já!

Clara Maragna
Advogada Popular e Militante da Frente Povo Sem Medo
Leonardo Koury
Professor, Assistente Social e Militante da Frente Brasil Popular
Foto: Diego Padgurschi /Folhapress

quinta-feira, 18 de maio de 2017

Talvez... Quem sabe...

Pelas coisas que considerávamos mais caras, fomos arremessados de volta, configurando-nos em testemunhas quaisquer de uma triste submissão. Espectros que sempre combatemos nos rondavam... e os aliados passaram a usar ornamentos semelhantes aos adversários que nos vilipendiavam.

O conhecimento das ações de grandes homens nos ensinava o significado perigoso dos tristes flertes, com as artificiais "sagradas” naturalizações. Contínuas lições longamente perscrutadas e examinadas em nosso tempo de simplicidade oposição. Mas aqueles que desejaram conquistar as graças dos modos tradicionais de funcionamento, de uma sociedade hierarquicamente organizada, enfeitaram-se com os comoventes véus sentimentais. Então, encontraram-se desalojados pelo estado de vertigem do poder pelo poder.

A conveniência trouxe-nos inconvenientes... O afastamento da essência gerou grande pesares, identidades confusas assaltadas por contínuos infortúnios, grandes pesares em nosso pauperizado curso de desenvolvimento bem intencionado, pelas retóricas e ornamentos fora diariamente aniquilado.

Quais seriam as saídas do declínio? Como evitar os surtos outrora conhecidos? Como situar nossas oposições nas posições mais elevadas? Como sustentar nossas posições sem a oposição dos nossos próprios egos absolutos, infiltrados nos grandes e pequenos atos das faculdades do poder...

Resgate... daquilo que nos era intrínseco, do que fora antes diligentemente considerado. Dos nossos modos autênticos de funcionamento... de gente que gosta de gente, do aspecto fundamental das questões relacionais. Da poesia implícita nas histórias de cada indivíduo, as quais se confundem e culminam nos processos coletivos. Talvez...

Amanda Lemes
Mestranda em Gestão e Políticas Públicas
Fundação Perseu Abramo
Maringá - PR

terça-feira, 2 de maio de 2017

Quatro parágrafos sobre Reforma, Revolução e o Golpe

Nascem para estudar, estudam para trabalhar e trabalham até morrer. Estamos mortos deste o princípio. Este sim é o verdadeiro Golpe!

Então, morte ao sistema capitalista. Nosso sangue não pode servir para a mais valia destes vampiros de "sociedade anônima" que privatizam o que é de todas e todos.

Em curtos quatro parágrafos (e só falta este e mais um, rs) tento objetivamente dizer que a estratégia e a tática são fundamentais nos processos, pois só pode existir uma saída para o problema de "vida e morte", a revolução construída pelo poder popular.

Ao contrário é Reforma. Toda Reforma só faz demorar o fim do sofrimento dos explorados (nós). Seja da previdência, trabalhista ou até novo nome para a presidência. Se não for o povo, é só Reforma. Exija e construa a Revolução, não a confunda com outras formas.


Leonardo Koury

Professor, Assistente Social e militante dos movimentos sociais.

domingo, 26 de março de 2017

Do Consenso de Washington à volta ao Brasil colônia

Você consegue fazer uma avaliação de conjuntura? Porque nos dias de hoje só os intelectuais se mostram aptos para essa tarefa? O que houve de tão estranho nessa mudança de concepção, visto que no passado, qualquer pessoa bem informada conseguia fazer uma avaliação com propriedade?

Comecemos essa conversa afirmando que qualquer avaliação de conjuntura que se preze nos dias de hoje tem que focar duas questões. A primeira em caracterizar a situação do Brasil como uma extensão da crise capitalista mundial, iniciada há alguns anos e vivendo seu ápice nos últimos três e a segunda o avanço da extrema direita em várias partes do mundo, caracterizada pelo nacionalismo e em alguns países pelo avanço ou retomada do neoliberalismo, mais especificamente em alguns países latino-americanos. Em ambos os casos com forte influência do fundamentalismo religioso, da maçonaria e instituições extremistas. Enquanto a democracia participativa e direta é atacada a representativa enganosa toma conta do cenário.

Há evidências de que esse fenômeno ocorreu e ocorre principalmente pelo vácuo deixado pela esquerda e pelos movimentos organizados. Ambos os setores recuaram ao longo do tempo e isso foi o suficiente para o avanço das forças conservadoras. Perderam o tempo de reação conjunta. 

O Brasil vive tempos mais sombrios do que nos tempos de FHC e isso representa a retomada do Consenso de Washington. 

Para quem não acompanhou a escalada neoliberal no Brasil, se faz necessário alguns esclarecimentos e leitura do livro “O Consenso de Washington” de Paulo Nogueira Batista, disponível em: http://www.consultapopular.org.br/sites/default/files/consenso%20de%20washington.pdf. Nele, o autor fala qual era o papel do Collor, FHC e principalmente da mídia no processo de implantação do neoliberalismo no Brasil.

O Consenso de Washington foi o nome dado a uma reunião ocorrida no final do ano de 1989 em Washington, que em tese, visava propalar a conduta econômica neoliberal com a intenção de combater as crises e misérias dos países subdesenvolvidos, sobretudo os da América Latina. Sua elaboração ficou a cargo do economista norte-americano John Williamson. Porém, a verdadeira intenção era planejar a implantação do neoliberalismo na América Latina e no Caribe, comandada pelos Estados Unidos.

As ideias defendidas por Williamson serviram de base do neoliberalismo nos países subdesenvolvidos, uma vez que depois do Consenso de Washington, os EUA e, posteriormente, o FMI adotaram as medidas recomendadas como obrigatórias para fornecer ajuda aos países em crises e negociar suas dívidas externas.

As principais recomendações do Consenso eram: Reforma Fiscal, Política de Privatizações em tudo que fosse estatal e Redução Fiscal do Estado (Redução de gastos com corte em massa de funcionários). Caso os países se recusassem a cumprir essas normas, encontrariam dificuldades de receberem investimentos externos e ajuda internacional por parte dos EUA e do FMI.

Qualquer semelhança com o momento atual não é mera coincidência e sim faz parte dos acordos e compromissos da direita golpista com os magnatas da terra do Tio San. Tentaram com Collor, mas o mesmo os traiu e por isso foi impitimado. O neoliberalismo se consolidou com FHC, que acabou fazendo muito mais do que seus superiores esperavam dele, porém essa saga foi bruscamente interrompida com a eleição de Lula e na sequência com sua reeleição e a de Dilma. Isso foi demais para os protagonistas neoliberais.

O impeachment de Dilma foi a resposta. Não dava mais para eles aceitarem mais um governo fora dos planos do Consenso. Dilma tinha que cair de qualquer jeito, para que fosse retomada a escalada de abandono do Welfare State (Estado de Bem Estar Social), a verticalização política e econômica e a volta da clássica da pirâmide social que tem um valor real, principalmente no mundo econômico, sem contar a necessidade do retorno do Exército Industrial de Reserva (que é o contingente de desempregados que serve de base para os arrochos salariais, a precarização do trabalho e as mudanças de regras, como é o caso das reformas em pauta pelos golpistas). 

A partir desse cenário, o que mais me impressiona é a completa falta de interesse de uma grande parte da sociedade pela política e mais ainda de algumas pessoas que se mostram como lideranças populares, no entanto apenas usam a política como trampolim para seus interesses. Algumas características comuns entre elas: descartam a formação política, ignoram a importância da organização popular e se digladiam entre si pela direção partidária ou de qualquer instância ou organismo, deixando claro que o que importa é o poder a qualquer custo. Ou se tem capacidade de intervenção pela base, ou qualquer tipo de ação sem popularizá-la se torna apenas meras conveniências dos agentes poder.

Avaliar uma conjuntura significa entre outras coisas, traduzir os códigos do poder, sob o ponto de vista ideológico, o que faz com que, mesmo num partido como o PT, composto por diversas linhas de pensamento, tenha diversas leituras para as possíveis saídas ou enfrentamentos a essa crise e ao golpe. Uma avaliação precisa da conjuntura é o ponto de partida para a organização da sociedade para seus enfrentamentos necessários.

Com base nisso, se faz necessário o entendimento, de que só se constrói uma unidade de luta contra o mesmo mal se a causa for a mesma, independente das leituras que se façam para o texto e o contexto do que se está lutando e contra quem. Os diversos cenários e os atores envolvidos são de fato os principais personagens, mas o que importa mesmo é o resultado final dessa luta e quem serão os beneficiados. Mudar uma sociedade para entregá-la a setores sectários, mesmo que de esquerda, é jogar novamente a população nas mãos de seus algozes. Se o lema é para o povo e pelo povo, se não for com ele próprio de nada servirá qualquer mudança que seja.

A luta constante de quem tem uma causa como referência de vida é ser escudo e servir de proteção contra todos e todas que se aproveitam das diversas situações para ludibriar, enganar, usar e fazer de massa de manobra, as pessoas com menor poder econômico, e desprovidas de compreensão política para saber quem e quem.

Sejamos prudentes no trato com as nossas pessoas, principalmente por sabermos que cada pessoa tem um tempo de amadurecimento e de compreensão de vida. Muitas delas morrem sem descobrir qual era sua missão e é esse o principal papel de uma liderança política. Ajudar essas pessoas a voltarem a sonhar e encontrarem a razão de suas existências.

A vida nos oferece situações para os ajustes necessários no ritmo de vida, mas quando não observamos, seja por descuido ou mesmo por desleixo, a vida nos impõe as regras e às vezes quando vemos já é tarde demais.

Abraço Fraterno a Todos e Todas
Antonio Lopes Cordeiro (Toni)

Estatístico e Pesquisador em Gestão Pública e Social

quarta-feira, 22 de fevereiro de 2017

Porque a busca do conhecimento é tão perseguida?

Se tem algo que põe os ditadores de plantão, sectários do dia a dia e os reacionários de toda ordem com as barbas de molho é uma pessoa esclarecida e se essa pessoa, além de esclarecida for consciente politicamente, aí passa a ser inimiga declarada. Essas variações ocorrem de acordo com o grau de conhecimento que uma pessoa dispõe e como esse conhecimento é utilizado.

As perseguições ou ainda as discriminações em relação à pessoas esclarecidas existem, tanto no universo público como no privado. Se no privado o conhecimento passa a ser uma arma contra um chefe medíocre, por exemplo, no público a luta é contra quem se apodera dos cargos públicos para fazerem suas carreiras-solo e uma vez no que chama de poder se sentem ameaçados por alguém que tenha mais conhecimento. Na prática esse enfrentamento caminha lado a lado com o dilema ser chefe ou ser líder.

No setor privado a maioria das empresas ainda opta por um chefe à moda antiga. Uma espécie de capataz. Aquele que comanda no grito. Apesar de todos os avanços em termos de gestão, a maioria das empresas ainda se encontra na Teoria “X”, onde, na visão de quem pensa assim, é a figura presente do chefe sanguinário que faz a produção crescer.

No universo público, a coisa ainda é bem mais complicada. Basta dizer que praticamente todo acervo acadêmico da área de gestão pública no Brasil, não tem dez anos. Isso faz com que tenhamos gestores com a cabeça na chefia e com o pensamento em transformar o que poderia ser uma missão em sua profissão principal. Tem vereador e deputado disputando a décima eleição.

Voltando a questão do conhecimento, podemos caracterizá-lo como um ato de libertação. Algo que eleva o grau de percepção das pessoas e as leva a aprenderem a pensar ou ainda a saberem elaborar um pensamento, que é pior ainda para quem quer manipulá-las. Um ato insuportável para quem tem pretensões individuais e não coletivas, em todos os cargos, seja no campo público ou privado, ou ainda de todos os partidos políticos, agremiações, organizações, etc. Algo que está na cultura de quem se deixa levar pela vaidade de ter um cargo e a primeira reação é a de se mostrar superior.

Dentro dessa temática algo me deixa muito preocupado. Quando a direita se une como agora e destrói a educação, por exemplo, ficamos furiosos por sabermos duas coisas. Primeiro que o que foi conquistado foi a partir de anos de lutas e segundo por saber que o que eles querem de fato é privatizar tudo, sucateando e deixando os pais e mães indignados com o ensino público.

Porém, quando vemos as confusões estabelecidas por algumas pessoas que se consideram politizadas e se rotulam de esquerdista e na prática boicotam um curso, uma capacitação ou ainda não dão a mínima importância para a formação política, aí minha reação é de espanto e porque não dizer muita decepção. Agem da mesma forma da direita conservadora, enfraquecendo as opções de reação por parte da militância política e da população que cada vez mais ignora, por falta de conhecimento, a política como ciência.

Ou seja, na prática, sofrem do mesmo mal que a direita e usa os espaços coletivos e democráticos para implantarem uma forma de continuidade do que chamam de poder.

O que fazer numa situação dessas? Fazer o enfrentamento. Ganhar a confiança das pessoas e deixar muito claro que só se muda a prosa e o rumo da própria vida com conhecimento.

Paulo Freire em seu livro Pedagogia da Autonomia escreveu: Ensinar não é transferir conhecimento, mas criar as possibilidades para a sua própria produção ou a sua construção”.

Antonio Lopes Cordeiro
Estatístico e Pesquisador em Gestão Pública Social
tonicordeiro1608@gmail.com

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2017

Fundação Perseu Abramo lança novo curso em Americana


A imagem pode conter: 20 pessoas, pessoas sorrindo, pessoas sentadas
A Fundação Perseu Abramo em parceria com o Mandato Popular e Participativo do Vereador Professor Padre Sergio, lançou em Americana no último dia 28 de janeiro o Curso “Governar e se Organizar a partir da crise”. Um curso semipresencial com 80 horas de duração e com tutoria do próprio Vereador.

Esse novo Curso é resultado da integração de dois setores da Área de Conhecimento da Fundação Perseu Abramo, que compõem junto com o Mestrado, o Laboratório e Observatório de Gestão e Políticas Públicas: Capacitação Continuada em Gestão Pública nas Prefeituras Petistas, coordenado por Antonio Cordeiro e Difusão do Conhecimento, coordenado por Luís Vita.

O principal objetivo do curso é oferecer novos conhecimentos e uma visão integrada entre as gestões, os mandatos legislativos, suas bases de apoio político, a sociedade organizada através de suas instâncias e a militância política formada por petistas e simpatizantes, além de lideranças comunitárias. Assim, o curso terá duas versões, uma mais voltada à capacitação dos gestores, os mandatos legislativos e suas bases de apoio e outra versão voltada mais especificamente aos movimentos sociais e sindicais.

Participaram da Aula Inaugural proferida pelo Ex-Deputado Estadual Simão Pedro e pelo representante da Fundação Antonio Lopes Cordeiro (Toni), quase 50 alunos e alunas, que avaliaram a iniciativa como sendo uma ação bem vinda e com foco atualizado para os difíceis momentos que o Partido dos Trabalhadores passa na atualidade, além de trazer novos conhecimentos que em muito ajudarão na compreensão e preparação política para os enfrentamentos necessários.

A palestra teve como tema: “A conjuntura nacional e os desafios para o enfrentamento da crise” e a Aula pôs em discussão dois temas: “A Gestão Petista, o Golpe e a Crise e Políticas Públicas e os Direitos e Participação e de Controle Social”, com grande participação dos presentes.

O principal público alvo do curso será:
  Gestores(as), Vereadores(as) e suas bases de apoio
  Servidores(as) Públicos e Técnicos alinhados(as) com a linguagem e propostas do Partido dos Trabalhadores
  Conselheiros Municipais
  Lideranças Políticas e Comunitárias
  Militância Política e Social
A parte presencial do curso é composta pela Aula Inaugural, Aula de Encerramento e a cada quatro aulas presenciais uma Oficina Temática com os seguintes temas:
  1. Movimentos Sociais e o Desafio da Organização Popular
  2. Economia Solidária como estratégia para novos negócios
  3. A importância e o poder popular da Lei de Acesso à Informação (Lei 12.527/11)
O curso terá como estrutura:

As doze aulas online são:

Esperamos levar o curso para os 26 estados em algumas de suas regiões, basta que para isso o curso seja solicitado. Nessas localidades normalmente o curso é ministrado em uma cidade sede com convite para as cidades de seu entorno.

Maiores informações poderão ser obtidas através do e-mail: tonicordeiro1608@gmail.com


Toni Cordeiro
Estatístico e Pesquisador em Gestão Pública e Social

segunda-feira, 30 de janeiro de 2017

Porque um mandato popular e participativo incomoda tanta gente?

Quero começar esse post fazendo algumas afirmações que estão presentes na atual conjuntura e no seio da resistência ao golpe parlamentar que depôs uma Presidenta eleita e roubou de mais de 54 milhões de brasileiros e de brasileiras o voto e a esperança de mudança via eleições. Como acreditar que nosso voto não será roubado novamente nas próximas eleições?

A primeira afirmação é a de que existe uma profunda crise na democracia representativa, onde a maioria das pessoas eleitas não representa ninguém, a não serem elas mesmas ou seus grupos de interesses. Isso decorre da ignorância coletiva de achar que política é uma coisa ruim e de que todos os políticos são ladrões. Plantaram isso na cabeça da população de forma proposital e a reação normal é a de afastamento. É nesse vazio que nasce as aberrações tratadas como lideranças.

A segunda é a de que a democracia participativa ou direta acaba sendo um fenômeno, principalmente pela falta de uso e pela raridade de gestores e parlamentares que tem a coragem de coloca-la em prática. E porque isso ocorre? Por várias razões, eis algumas:

As pessoas que não respeitam a participação nascem de pelo menos duas vertentes. As que debocham da população e a compra com dinheiro, benefícios e favores e as que acreditam que são seres insubstituíveis dotadas de conhecimento supremo e que só eles ou elas poderão fazer o que a população precisa. Jamais se afastam do assistencialismo e quando realizam eventos participativos o fazem a apenas por convenção.

Em geral essas pessoas morrem de medo de concorrentes para o próximo pleito e isso faz com que mate no ninho qualquer possibilidade de concorrência provinda, principalmente dos setores organizados da sociedade. Defendem a ideia de que a população não está preparada para a participação e, portanto não podem ter muitas conferências, encontros e abominam Conselhos de Mandatos. Era isso que afirmava um abominável prefeito que tive o desprazer de trabalhar com ele. Ainda bem que foi por muito pouco tempo. Quem despreza o povo, despreza a própria vida. Nem sabe por que nasceram.

A participação espontânea provoca reações que só um líder e não chefe é capaz de lidar. Por exemplo, as pessoas que participam querem construir as ideias juntos, fiscalizar sua implantação e, sobretudo fazer avaliações positivas e negativas. Outro fato é a de que a participação leva as pessoas a um nível de entendimento fantástico, de forma rápida e com isso nasce a vontade de participação e a busca de novos conhecimentos, prejudicial para quem não quer concorrência e para quem quer passar a ideia de ser um ser inigualável.

Quando a população descobre que pode participar começa uma estranha sinergia entre o eleito e as pessoas participantes, que se bem aproveitadas poderá iniciar uma verdadeira revolução. Trata-se de um processo horizontal de gestão e não vertical onde apenas um sabe e os demais obedecem. Nesse caso é a decisão da maioria que é acatada.

O principal medo dos dirigentes de alguns partidos com relação aos mandatos participativos é a de é que isso gere a formação de um verdadeiro exército popular a serviço das mudanças efetivas na sociedade e aí, como um tsunami, esse exército irá peitar tudo aquilo que discorda. A partir de então serão criadas novas regras de conduta e novos valores estarão na pauta partidária.

Em Americana está sendo assim com o mandato participativo e popular do Vereador Professor Padre Sergio. Em tão pouco tempo já se produziu um Seminário, os filiados e filiadas foram notificados sobre como o mandato irá se constituir e o início de um curso de formação em parceria com a Fundação Perseu Abramo.

Uma voz do além esbravejou: “Conselho Popular não pode e não será aceito!!!”, no entanto a população disse sim ao chamado do Vereador e essa prática coletiva acabou virando algo novo no meios de tantos eleitos. O efeito disso é simples. Quem quiser peitar o Padre Sergio terá antes que antes peitar os membros do Conselho Popular Participativo e do Fórum Permanente. Um verdadeiro paredão humano. 

Que essa visão e essa prática adotadas pelo Vereador Professor Padre Sergio e pela Deputada Estadual Marcia Lia que tem um Conselho Popular eleito em quase cem cidades, contamine nossa militância e possa mudar os rumos partidários.

Segundo Mário Sergio Cortella: "Para nós, em última instância, adaptar-se é morrer. Estar adaptado significa estar acomodado, circunscrito a uma determinada situação, recluso em uma posição específica; adaptar-se é, sobretudo, conformar-se (acatar a forma), ou seja, submeter-se".

Ao invés de ter que se adaptar ao convencional em declínio, porque não subverter a ordem, se necessário for, em busca de algo novo que seduza novamente a população?


Antonio Lopes Cordeiro
Estatístico e Pesquisador em Gestão Pública
tonicordeiro1608@gmail.com