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segunda-feira, 30 de janeiro de 2017

Porque um mandato popular e participativo incomoda tanta gente?

Quero começar esse post fazendo algumas afirmações que estão presentes na atual conjuntura e no seio da resistência ao golpe parlamentar que depôs uma Presidenta eleita e roubou de mais de 54 milhões de brasileiros e de brasileiras o voto e a esperança de mudança via eleições. Como acreditar que nosso voto não será roubado novamente nas próximas eleições?

A primeira afirmação é a de que existe uma profunda crise na democracia representativa, onde a maioria das pessoas eleitas não representa ninguém, a não serem elas mesmas ou seus grupos de interesses. Isso decorre da ignorância coletiva de achar que política é uma coisa ruim e de que todos os políticos são ladrões. Plantaram isso na cabeça da população de forma proposital e a reação normal é a de afastamento. É nesse vazio que nasce as aberrações tratadas como lideranças.

A segunda é a de que a democracia participativa ou direta acaba sendo um fenômeno, principalmente pela falta de uso e pela raridade de gestores e parlamentares que tem a coragem de coloca-la em prática. E porque isso ocorre? Por várias razões, eis algumas:

As pessoas que não respeitam a participação nascem de pelo menos duas vertentes. As que debocham da população e a compra com dinheiro, benefícios e favores e as que acreditam que são seres insubstituíveis dotadas de conhecimento supremo e que só eles ou elas poderão fazer o que a população precisa. Jamais se afastam do assistencialismo e quando realizam eventos participativos o fazem a apenas por convenção.

Em geral essas pessoas morrem de medo de concorrentes para o próximo pleito e isso faz com que mate no ninho qualquer possibilidade de concorrência provinda, principalmente dos setores organizados da sociedade. Defendem a ideia de que a população não está preparada para a participação e, portanto não podem ter muitas conferências, encontros e abominam Conselhos de Mandatos. Era isso que afirmava um abominável prefeito que tive o desprazer de trabalhar com ele. Ainda bem que foi por muito pouco tempo. Quem despreza o povo, despreza a própria vida. Nem sabe por que nasceram.

A participação espontânea provoca reações que só um líder e não chefe é capaz de lidar. Por exemplo, as pessoas que participam querem construir as ideias juntos, fiscalizar sua implantação e, sobretudo fazer avaliações positivas e negativas. Outro fato é a de que a participação leva as pessoas a um nível de entendimento fantástico, de forma rápida e com isso nasce a vontade de participação e a busca de novos conhecimentos, prejudicial para quem não quer concorrência e para quem quer passar a ideia de ser um ser inigualável.

Quando a população descobre que pode participar começa uma estranha sinergia entre o eleito e as pessoas participantes, que se bem aproveitadas poderá iniciar uma verdadeira revolução. Trata-se de um processo horizontal de gestão e não vertical onde apenas um sabe e os demais obedecem. Nesse caso é a decisão da maioria que é acatada.

O principal medo dos dirigentes de alguns partidos com relação aos mandatos participativos é a de é que isso gere a formação de um verdadeiro exército popular a serviço das mudanças efetivas na sociedade e aí, como um tsunami, esse exército irá peitar tudo aquilo que discorda. A partir de então serão criadas novas regras de conduta e novos valores estarão na pauta partidária.

Em Americana está sendo assim com o mandato participativo e popular do Vereador Professor Padre Sergio. Em tão pouco tempo já se produziu um Seminário, os filiados e filiadas foram notificados sobre como o mandato irá se constituir e o início de um curso de formação em parceria com a Fundação Perseu Abramo.

Uma voz do além esbravejou: “Conselho Popular não pode e não será aceito!!!”, no entanto a população disse sim ao chamado do Vereador e essa prática coletiva acabou virando algo novo no meios de tantos eleitos. O efeito disso é simples. Quem quiser peitar o Padre Sergio terá antes que antes peitar os membros do Conselho Popular Participativo e do Fórum Permanente. Um verdadeiro paredão humano. 

Que essa visão e essa prática adotadas pelo Vereador Professor Padre Sergio e pela Deputada Estadual Marcia Lia que tem um Conselho Popular eleito em quase cem cidades, contamine nossa militância e possa mudar os rumos partidários.

Segundo Mário Sergio Cortella: "Para nós, em última instância, adaptar-se é morrer. Estar adaptado significa estar acomodado, circunscrito a uma determinada situação, recluso em uma posição específica; adaptar-se é, sobretudo, conformar-se (acatar a forma), ou seja, submeter-se".

Ao invés de ter que se adaptar ao convencional em declínio, porque não subverter a ordem, se necessário for, em busca de algo novo que seduza novamente a população?


Antonio Lopes Cordeiro
Estatístico e Pesquisador em Gestão Pública
tonicordeiro1608@gmail.com